Primeira-ministra da Ucrânia rejeita acordo com a Rússia

Proposta preserva esquema de corrupção e vai contra interesses nacionais, diz Yulia Tymoshenko

Agência Estado,

06 de março de 2008 | 14h41

A primeira-ministra ucraniana, Yulia Tymoshenko, rejeitou parte do acordo de fornecimento de gás feito com a Rússia, 24 horas após o fim de três dias de corte no suprimento que levantou preocupação no fornecimento à Europa Ocidental. Segundo a Dow Jones, o acordo "preservaria esquemas de corrupção e abusos, levaria à falência a (empresa estatal de gás) Naftogaz e iria contra interesses nacionais", afirmou Tymoshenko, em uma carta aberta ao presidente ucraniano Viktor Yushchenko, divulgada pelo governo. Yushchenko e o presidente russo Vladimir Putin fecharam um acordo em Moscou, no dia 12 de fevereiro, com a intenção de acabar com uma discussão sobre a dívida da Ucrânia sobre gás comprado da Rússia - e para reorganizar a relação de fornecimento de gás entre os países.  Os termos do acerto nunca se tornaram públicos, mas Tymoshenko deixou claro que ela não concorda com os pedidos russos, levando a estatal de gás russa OAO Gazprom a cortar o fornecimento para a Ucrânia em 50% na segunda e na terça-feira desta semana. A Gazprom retomou o suprimento ontem, mas a essência da disputa não parece ter sido resolvida. Em um comunicado conjunto divulgado na quarta, a Gazprom e a Naftogaz disseram que as negociações vão continuar. A empresa russa pediu que a Ucrânia pague uma dívida de US$ 600 milhões. "Eu vou cumprir o acordo de 12 de fevereiro feito pelos presidentes, se a necessidade de uma normalização urgente das relações na área do gás for tratada", declarou Tymoshenko na carta. Mas a primeira-ministra acrescentou que "o conselho de ministros não pode concordar com muitos dos termos desse acordo", tais como os preços do gás para 2008, o uso de uma companhia intermediária e movimentos para limitar o acesso da Naftogaz ao mercado doméstico ucraniano.

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