Primeiro-ministro belga se prepara para apresentar renúncia

Yves Leterme é motivado pelo fracasso no diálogo entre flamencos e francófonos para descentralização do país

Efe,

14 de julho de 2008 | 20h37

O primeiro-ministro belga, o democrata-cristão flamengo Yves Leterme, deve apresentar nesta segunda-feira, 14, sua renúncia ao rei Alberto II, confirmaram fontes oficiais. Por trás da decisão de Leterme está o fracasso nas negociações entre flamengos e francófonos para uma nova descentralização no país. O vice-primeiro-ministro, Didier Reynders, principal líder francófono da coalizão governante, confirmou a decisão de Leterme e a lamentou, segundo declarações citadas pela agência Belga. "Sinto que tenha colocado em risco todo o trabalho sócio-econômico que tínhamos empreendido", manifestou o dirigente liberal. "É ainda mais lamentável porque os francófonos tinham aceitado um novo diálogo entre comunidades e tínhamos feito todos os esforços para permitir o reatamento das negociações", acrescentou Reynders. A decisão de Leterme de apresentar a renúncia do governo, integrado por cinco partidos - francófonos (liberais, socialistas e democrata-cristão) e flamengos (liberais e democratas-cristãos) -, foi adotada após ele constatar o bloqueio das negociações para uma nova descentralização do Estado. Sua última proposta para prosseguir com as conversações tinha sido envolver também os presidentes dos executivos regionais e não só os responsáveis pelos principais partidos de um ou outro lado do país. Esta idéia, destinada sobretudo a diminuir a pressão exercida dentro de seu próprio grupo flamengo, não teria sido apoiada pelo partido, o CD&V, o que teria levado o primeiro-ministro a um beco sem saída. Na terça-feira, expira o prazo que os partidos flamengos tinham dado aos francófonos para o alcance de um acordo sobre uma profunda reforma do Estado, sob pena de retirarem seu apoio ao governo. Os partidos flamengos, especialmente o CD&V, e o partido nacionalista aliado a este, NVA, ameaçaram em várias ocasiões retirar o apoio ao governo se antes de amanhã não se chegasse a um acordo. As exigências da cisão do distrito eleitoral BHV e de mais descentralização dos flamengos e as resistências dos habitantes de Valônia em aceitá-las já estiveram por trás da grave crise vivida pela Bélgica após as eleições de junho de 2007, que deixou o país sem governo durante nove meses. BHV reúne a capital do país e 35 municípios de maioria francófona da periferia que estão encravados em Flandres, onde a única língua oficial é o holandês. Enquanto em Flandres só se pode votar em partidos flamengos e em Valônia em francófonos, os residentes de BHV podem optar entre ambos, o que os flamengos consideram que contraria a lei, pelo que exigem a separação deste distrito, no qual vivem muitos francófonos. Os habitantes pedem, em troca, compensações no acordo geral, como ampliar o território de Bruxelas - a terceira região autônoma, de estatuto bilíngüe, mas majoritariamente francófona - ou contar com um corredor que ligue Valônia com a capital. Entretanto, qualquer opção que implique em ceder território à Valônia é considerada inaceitável para os flamengos.

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