Primeiro-ministro irlandês renuncia por suspeita de corrupção

Ministro da economia é o favorito para suceder Bertie Ahern, que deixará o cargo em 6 de maio

Efe,

02 de abril de 2008 | 10h42

O primeiro-ministro da República da Irlanda, Bertie Ahern, anunciou nesta quarta-feira, 2, que renunciará em 6 de maio, quase um ano depois de conseguir nas urnas um histórico terceiro mandato consecutivo. A posição do primeiro-ministro ficou comprometida durante os últimos meses devido a seu suposto envolvimento em um caso de corrupção urbanística durante os anos 90. "A decisão que anuncio hoje, como todas as que tomei em minha vida política, foi tomada em interesse do povo. Esta é uma decisão estritamente pessoal", acrescentou Ahern, que esteve acompanhado por vários de seus ministros, entre eles, o titular de Economia, Brian Cowen, o favorito para sucedê-lo no cargo. As testemunhas da comissão investigadora disseram que as contas bancárias de Ahern e de sua ex-companheira, Celia Larkin, receberam US$ 45 mil e 25 mil libras esterlinas durante diferentes períodos dos anos 90, que seriam procedentes de conhecidos homens de negócios. No total, a comissão investigou até o momento transações e aplicações bancárias avaliadas em 452 mil libras irlandesas (antes da substituição pelo euro) efetuadas entre 1988 e 1997. Em sua defesa, o primeiro-ministro disse que nunca fez transações com a divisa britânica. No entanto, os argumentos vieram abaixo na semana passada, quando a secretária de seu escritório eleitoral, Grainne Carruth, confessou no tribunal que ela mesma colocou 15 mil libras esterlinas em uma conta corrente aberta no nome de Ahern e de suas duas filhas em 1994, quando ocupava a pasta de Economia e Finanças. "Nunca me enriqueci graças a minha posição", disse Ahern à imprensa, durante a qual defendeu sua inocência e enumerou as conquistas de seu governo nos últimos onze anos. "Em meu coração, sei que não fiz nada ruim", disse o primeiro-ministro, ao mesmo tempo em que reconheceu que as investigações do tribunal anticorrupção sobre suas finanças estão "distraindo" o trabalho do Executivo de Dublin. Na terça-feira, Ahern apresentou ao Alto Tribunal de Dublin um pedido judicial para limitar o trabalho da comissão especial que investiga os casos de corrupção urbanística. Seus advogados alegam que certos documentos solicitados pela comissão, que investiga as finanças pessoais do primeiro-ministro, estão protegidos por um "direito de privilégio".

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