Principal autoridade britânica antiterror renuncia

A principal autoridade britânica decombate ao terrorismo anunciou sua demissão na terça-feira,ainda sob pressão pela morte do brasileiro Jean Charles deMenezes, em 2005, confundido com um homem-bomba. O comissário-assistente Andy Hayman, que chefiava a unidadede Operações Especiais da Polícia Metropolitana de Londres,incluindo o Comando de Contraterrorismo, disse que deixariaimediatamente o posto e que se aposentaria. "O cargo exige comprometimento total tanto em termos detempo quanto de esforço, e tem um impacto considerável na vidapessoal, na família e nos amigos", disse Hayman, 47, queassumiu o posto em fevereiro de 2005. "Também te coloca sob os holofotes, muitas vezes de umjeito doloroso. As semanas recentes testemunharam uma série devazamentos e acusações infundadas contra mim, que já neguei econtinuarei negando veementemente." Hayman referia-se a reportagens segundo as quais ele estásendo investigado por seus gastos e por viagens ao exterior comuma sargento da polícia. Em agosto, um relatório da Comissão Independente de Queixascontra a Polícia (IPCC na sigla em inglês) condenou Hayman porseu comportamento logo depois da morte do brasileiro. Segundo oórgão, Hayman iludiu outros oficiais ao não contar que o mortoera inocente. Com isso, informações falsas foram repassadas àimprensa e ao público. Hayman virou uma personalidade conhecida depois dos ataquesde 7 de julho de 2005, em que homens-bomba explodiram em trensdo metrô e em um ônibus, matando 52 pessoas. Ele costumava darentrevistas coletivas informando sobre o progresso dasinvestigações. Mas, no ano seguinte, ele foi duramente criticado por umaoperação antiterrorismo numa casa no leste de Londres, queterminou com um ferido. A casa estaria sendo usada para fazeruma bomba química, mas nada foi encontrado, e os acusados foramliberados --incluindo o ferido. "Andy Hayman pode ter orgulho de suas conquistas à frentedas Operações Especiais", afirmou o chefe da polícia londrina,Ian Blair, que resiste às pressões para renunciar pelo casoJean Charles. "Só neste ano, 37 pessoas foram condenadas emcasos relativos ao terrorismo após investigações da polícia." Peter Clarke, atual chefe do Comando de Contraterrorismonacional, adiou a aposentadoria para assumir temporariamente opapel de Hayman, enquanto não se nomeia um substituto.

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