Problemas de Berlusconi assombram mercados italianos

A possibilidade de eleições antecipadas na Itália após um pedido no fim de semana para que o primeiro-ministro Silvio Berlusconi renuncie criou um clima de incertezas no país que pode atingir ações das empresas do premiê e os rendimentos de bônus se a crise se agravar.

NIGEL TUTT, REUTERS

08 de novembro de 2010 | 13h05

O presidente da câmara baixa do Congresso, Gianfranco Fini, um antigo aliado que se tornou rival de Berlusconi, pediu no domingo a renúncia do primeiro-ministro pelo bem do país, ameaçando retirar o apoio de seu partido ao governo de centro-direita.

As ações da empresa de comunicação Mediaset, que é da família Berlusconi, sofreram perdas nesta segunda-feira e ficaram abaixo do índice europeu Stoxx 600, apenas de empresas de mídia, que ficou estável.

As ações e títulos da Itália como um todo não foram muito afetados e seguiram outros mercados europeus, mas investidores disseram que o cenário político que resultar dos próximos dois dias pode ser decisivo em determinar a direção dos mercados italianos.

"Eleições antecipadas podem criar uma situação de incerteza que certamente não seria boa para os mercados financeiros, mesmo se felizmente as contas públicas italianas já tenham sido asseguradas com a última lei orçamentária", afirmou o gerente de equities da Anima Sgr, Marco Seveso.

"Do ponto de vista dos setores, aqueles ligados à tendência econômica, como os setores industrial, financeiro e de comunicações, serão provavelmente punidos acima de todos", acrescentou.

Um estrategista de mercado disse à Reuters que as preocupações atuais sobre as economias europeias como Irlanda e da Grécia são atualmente prioridade em relação à situação política italiana.

CENÁRIO INCERTO

Os problemas na Itália podem ter um impacto maior nos mercados dependendo de como o impasse político caminhar, disseram investidores.

As opções variam entre uma pequena mudança no cenário para o anúncio de um novo governo de centro-direita, que pode ficar no poder até uma nova eleição geral no ano que vem.

"(A crise atual) é uma repetição do que vem amadurecendo nas últimas semanas... A probabilidade de uma eleição na primavera (boreal) é pouco maior de 50 por cento", afirmou o economista Paolo Mameli, da Intesa Sanpaolo. "As próximas 48 horas serão decisivas."

O ministro da Economia, Giulio Tremonti, cujo analistas veem como um candidato para comandar um governo de transição, deve permanecer a cargo das finanças públicas até a eleição, e permaneceria em um eventual novo governo de centro-direita, o que tranquilizaria os mercados.

"A opção de um governo técnico não está preocupando os investidores, pois não levará a uma mudança na política fiscal," afirmou o estrategista. "Tremonti é mais atento às contas públicas se comparado a Berlusconi, que é mais expansivo fiscalmente", disse Mameli.

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