Procuradora pede ao Conselho de Segurança pressão sobre a Sérvia

Para o país entrar na União Européia, ele deve entregar dois suspeitos de genocídio, diz Carla del Ponte

Efe,

10 de dezembro de 2007 | 23h52

A procuradora-geral do Tribunal Penal Internacional para a Antiga Iugoslávia (TPII), Carla del Ponte, solicitou nesta segunda-feira, 10, à comunidade internacional que aumente a pressão sobre a Sérvia para que entregue os suspeitos fugitivos e defendeu o veto à sua entrada na União Européia (UE). Em seu último relatório ao Conselho de Segurança da ONU antes de abandonar o cargo, que ocupa desde 1999, a promotora pediu aos 15 membros do órgão que, em memória das vítimas, "não deixem de olhar debaixo de nenhuma pedra, na busca de justiça". Del Ponte reconheceu que seu otimismo se debilitou "consideravelmente" no último ano. Ela esperava a entrega dos servo-bósnios Ratko Mladic e Radovan Karadzic ao tribunal de Haia. "É uma mancha para o trabalho do tribunal que dois indivíduos acusados de genocídio e responsáveis pelos piores crimes cometidos na Europa desde a Segunda Guerra Mundial continuem foragidos", afirmou a promotora suíça. Os dois maiores dirigentes do lado sérvio na guerra da Bósnia (1992-1995) têm conseguido escapar do tribunal, o que "solapa o conceito de justiça internacional", considerou Del Ponte. Por isso, ela pediu aos membros da União Européia (UE) que mantenham "a posição de que a Sérvia deve cooperar completamente com o tribunal internacional se quiser entrar para o bloco". A Promotoria do TPII acredita que o general Mladic está na Sérvia, e Karadzic estaria refugiado nos territórios sérvios da Bósnia. A embaixadora adjunta do Reino Unido na ONU, Karen Pierce, considerou "extremamente decepcionante" a atitude sérvia. Ela duvidou que o país esteja cumprindo seus compromissos com a UE, e pediu às autoridades que entreguem os fugitivos "sem mais demoras". Del Ponte abandonará a chefia da promotoria do TPII em janeiro, para ser embaixadora da Suíça na Argentina. Seu cargo ficará nas mãos do promotor belga Serge Brammertz, chefe da comissão internacional que investiga o assassinato do ex-primeiro-ministro libanês Rafik Hariri.

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