Procuradoria portuguesa decide arquivar o caso Madeleine

Após 14 meses do desaparecimento da menina britânica, polícia encerra investigações por falta de provas

Agências internacionais,

21 de julho de 2008 | 12h15

A Procuradoria portuguesa decidiu nesta segunda-feira, 21, arquivar o caso da menina britânica Madeleine McCann, e rejeitou a possibilidade de realizar novas investigações ou abrir um julgamento pelo desaparecimento da criança, em maio de 2007. Os pais da criança, Kate e Gerry McCann, foram isentos de envolvimento no episódio.   Segundo o escritório do procurador-geral Fernando Pinto Monteiro, a investigação de 14 meses não revelou evidências de que o crime tivesse sido cometido pelos três suspeitos: os pais da menina, Kate e Gerry McCann, e o britânico Robert Murat. Agora, com o caso arquivado, acredita-se que o casal McCann pedirá que os investigadores particulares contratados por eles tenham acesso aos documentos da polícia de Portugal, para que possam continuar as buscas por sua filha.   Madeleine desapareceu na noite de 3 de maio de 2007 - nove dias antes de seu aniversário de quatro anos - do apartamento onde dormia com os irmãos gêmeos, enquanto os pais jantavam com amigos em um restaurante próximo, no litoral do Algarve. O caso ganhou repercussão internacional, especialmente depois que a polícia qualificou os pais da criança como suspeitos.   A nota da Procuradoria afirma que o caso só poderá ser reaberto por iniciativa do Ministério Público ou requerimento de algum interessado "se surgirem novos elementos de prova que originem diligências sérias, pertinentes e coerentes".   O advogado português dos pais de Madeleine,  Kate e Gerry McCann, Rogério Alves, disse que a decisão da Promotoria portuguesa de arquivar o caso Madeleine por falta de provas é infeliz, mas positivo. Em declarações à imprensa, Alves disse que "infelizmente" o caso é encerrado sem que se saiba o que aconteceu na noite do dia 3 de maio de 2007. Ao mesmo tempo, acrescentou, é uma decisão "gratificante" para casal McCann ao considerar que "o processo se voltou contra eles" quando foram considerados suspeitos de uma hipotética morte acidental de sua filha.   Entretanto, Alves afirmou que esta é uma "satisfação secundária", pois o que os pais de Madeleine desejam é recuperar a menina. O advogado considerou também que a decisão da Promotoria era "previsível" diante da falta de avanço nas investigações, embora tenha afirmado que o casal continuará procurando sua filha.   Segundo o porta-voz da família, Clarence Mitchell, as advogados dos pais da menina poderão ver os arquivos policiais portugueses sobre o caso antes do final desta semana. O advogado português espera que a partir de agora as informações da investigação sirvam para que a Polícia britânica e os detetives particulares contratados pelos McCann avancem em seu trabalho e "surja uma nova luz na investigação".   A Polícia Judiciária portuguesa entregou aos procuradores no último dia 1º de julho o seu relatório final sobre a investigação, sem provas aparentes que tornem claras o paradeiro da menina, ou o envolvimento de Murat ou dos pais de Madeleine no desaparecimento. O casal de médicos britânicos, pais da menina, e o outro suspeito do caso já obtiveram indenizações após abrirem processos contra vários jornais do Reino Unido por difamação.   'Alívio'   Kate e Gerry McCann afirmaram nesta segunda que nunca deixarão de procurar pela filha. Falando rapidamente à imprensa, o casal demonstrou alívio com a decisão da Promotoria portuguesa de levantar a condição de "argüido" ou suspeito que pesava contra eles, mas assegurou que não havia nada a comemorar.   "É difícil descrever o desespero que sentimos ao sermos considerados 'argüidos' e, posteriormente, sermos retratados na imprensa como suspeitos do desaparecimento de nossa própria filha", disse Kate McCann em Rothley (centro da Inglaterra), junto à casa da família.   "Foi igualmente devastador presenciar o efeito prejudicial que esse status (de suspeitos) teve na busca de Madeleine", acrescentou, emocionada.     (Matéria atualizada às 15h45)  

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