Prodi perde votação no Senado e renuncia, oposição quer eleições

O primeiro-ministro italiano, RomanoProdi, perdeu na quinta-feira o voto de confiança no Senado eentregou sua renúncia ao presidente do país, levando o líder daoposição Silvio Berlusconi a pedir eleições imediatas. "Agora queremos ir à votação. Diremos o que queremos fazernos primeiros 100 dias de nosso governo", disse Berlusconi,ex-primeiro-ministro que está à frente de Prodi nas pesquisasde opinião. Mas o presidente Giorgio Napolitano pode primeiro indicarum governo interino para reformar o complicado sistemaeleitoral do país que, em 2006, colocou Prodi à frente de umgoverno com uma pequena liderança no Senado e uma coalizão denove partidos que vai de católicos e comunistas. Analistas dizem que a queda do 61o governo italiano desde aSegunda Guerra Mundial não deve prejudicar a economia, poisProdi já andava mais ocupado com sua sobrevivência política doque com qualquer reforma. Eles dizem esperar que a reformaeleitoral cure a crônica instabilidade italiana. "Esta não é necessariamente uma má notícia, tudo depende doque vem depois de Prodi", disse o economista Marco Valli, daUnicredit MIB. "Os mercados não gostam de incerteza, mas se oque se seguir a Prodi for um governo mais forte, então poderiaser positivo." O mandato de Prodi foi marcado por disputas internas da suacoalizão de centro-esquerda. O golpe final foi a saída, nestasemana, de um pequeno partido católico, que garantia a maioriado governo no Senado --e sem a qual o voto de desconfiança setornava quase inevitável. O "Professor", como é chamado Prodi por sua origemacadêmica, já havia sido primeiro-ministro em 1998, quandodeixou o cargo após ser abandonado pelos comunistas. Desta vez,ele alertou os senadores que a Itália não poderia viver um"vazio de poder" neste momento. "A Itália corre o risco de se ver num ciclo econômiconegativo que vamos enfrentar com estruturas econômicas aindaimperfeitas", disse ele num agitado debate, em que um senadordeu um tapa em outro, que foi então retirado de maca doplenário. Nem o apoio de senadores não-eletivos pôde salvar Prodi,que acabou perdendo por 161 votos a 156.

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