Projeções indicam que Reino Unido ficará na UE

Líder do Partido pela Independência do Reino Unido (Ukip) e um dos maiores defensores do Brexit admitiu a vantagem do campo pró-europeu,

ANDREI NETTO - CORRESPONDENTE/PARIS, O Estado de S.Paulo

23 Junho 2016 | 22h53

Em mobilização recorde do eleitorado, superior a 70%, os britânicos decidiram em plebiscito histórico que o Reino Unido deverá permanecer um dos 28 países-membros da União Europeia, indicam projeções. Os números divulgadas instantes após o fechamento das urnas, às 22h em Londres (18h de Brasília), indicaram que a campanha pela permanência (Remain) obterá cerca de 52% dos votos, contra 48% em favor da saída (Leave). Nigel Farage, líder do Partido pela Independência do Reino Unido (Ukip) e um dos maiores defensores do Brexit, admitiu a vantagem do campo pró-europeu, embora apuração inicial apontasse dianteira dos eurocéticos.

Depois de semanas de tensão, nas quais as pesquisas de intenção indicaram uma persistente tendência de vitória da campanha pelo rompimento entre Londres e Bruxelas, sondagens de boca-de-urna realizadas por diferentes institutos confirmaram a reversão do quadro. Segundo a média de seis pesquisas calculada pela organização apartidária What UK Thinks, Remain teria 52% dos votos válidos, contra 48% do Leave. O resultado seria obtido graças ao apoio em massa dos jovens. Os dados de boca-de-urna do instituto YouGov indicavam que 75% dos eleitores com idade entre 18 e 24 anos e 56% dos com 25 a 39 anos votaram pró-Europa.

Até as 22h15 em Brasília, porém, os resultados parciais da apuração apontavam a dianteira dos eurocéticos. Com 31 áreas de um total de 382 apuradas, os eleitores do Leave somavam 53,2%, contra 46,8% dos favoráveis ao Remain. Considerada apenas a Inglaterra, o maior dos quatro países do Reino Unido, o resultado também era favorável à mesma tendência: 59,6% pelo Leave, contra 40,4% pelo Remain.

Ao longo do dia, a tendência de vitória do campo pró-Europa gerou otimismo no mercado financeiro. As principais bolsas europeias fecharam em alta: Londres com 1,23%, Frankfurt com 1,85% e Paris com 1,96%. Já a moeda britânica, a libra esterlina, valorizou-se, atingindo seu maior valor frente ao dólar em seis meses. Mas durante a madrugada a tendência se inverteu, e com a abertura dos mercados financeiros asiáticos a libra passou a perder valor.

Declarações. Em post no Twitter, o primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, líder da campanha pró-UE, evitou declarar vitória, mas agradeceu o apoio da opinião pública, insinuando o sucesso de seu campo. "Obrigado a todos que votaram para manter o Reino Unido mais forte, mais seguro e melhor na Europa", disse o premiê.

Minutos antes, o populista de extrema direita Nigel Farage admitiu à rede de TV Sky News a provável vitória do campo pró-europeu. "Ao que parece o Remain tem a vantagem", afirmou. No comitê de campanha pelo Leave, a análise foi idêntica. Membro do governo de David Cameron, a ministra Theresa Villiers, favorável ao Brexit, também reconheceu a tendência de vitória do campo pró-Europa. "Meu sentimento é de que o Remain ganhou. Eu atribuo esse sucesso à campanha do medo", criticou a ministra, referindo-se aos alertas sobre o impacto econômico negativo que o rompimento entre Londres e Bruxelas teria para a economia britânica.

Tensão. A tendência de vitória do campo pró-Europa encerrou um dia de tensão máxima nas principais capitais do continente. Ao longo do dia, líderes políticos como o presidente da França, François Hollande, e a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, afastaram qualquer possibilidade de que pudesse haver outra opção em caso de vitória do Brexit a não ser a saída "irreversível" do Reino Unido do bloco. "Quando é não, é não. Não há um estatuto intermediário", afirmou Hollande.

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