Projeto de Gordon Brown irrita Elizabeth II

Projeto de implantação de juramento patriótico em escolas cria o 1º embate mais sério entre a rainha e premiê

EFE

16 de março de 2008 | 14h22

A rainha Elizabeth II da Inglaterra está "furiosa" com o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, devido ao plano sugerido em um relatório do governo que obrigaria os alunos do país a fazer um juramento patriótico ao se formarem, afirma a edição deste domingo, 15, do jornal "The Mail on Sunday".     Uma fonte do Palácio de Buckingham disse à publicação que a rainha não teve nada a ver com esse plano, contido em um relatório elaborado pelo ex-procurador-geral lorde Peter Goldsmith. A fonte afirmou de forma categórica que "o Palácio de Buckingham não foi consultado em relação a esse plano".   Segundo o "The Mail on Sunday", este é o primeiro embate mais sério entre Elizabeth II e Brown desde que este assumiu a chefia de governo, em junho de 2007.   O primeiro-ministro incluiu o "relatório Goldsmith" como parte de sua campanha para promover os valores do Reino Unido. O relatório recomenda a realização de uma série de cerimônias similares às que são comuns nos Estados Unidos para promover a identidade do país, incluindo a designação de um dia nacional.   O ex-procurador Goldsmith argumentou em defesa de seu relatório, dizendo que um "juramento de aliança", como o praticado nos EUA, serviria para integrar melhor os jovens na sociedade ao fim de seu período escolar.   No entanto, segundo o "The Mail on Sunday", Goldsmith enfureceu os tradicionalistas ao sugerir que o juramento à Coroa, que já é feito pelos jovens do Reino Unido, poderia ser substituído por um juramento de fidelidade ao país ou por uma declaração de direitos e responsabilidades dos cidadãos.   Enquanto Gordon Brown elogiou Goldsmith por ter despertado um interessante debate, os críticos condenaram o juramento proposto, pelo fato de que seria mais próprio de uma república como a França ou os EUA do que de uma monarquia. Os políticos nacionalistas escoceses e galeses chegaram a ironizar as propostas do ex-procurador, dizendo que as sugestões seriam dignas de terem sido criadas pelo famoso grupo humorístico britânico Monty Python.   Tradicionalmente, os membros das duas Câmaras do Parlamento do Reino Unido têm que jurar fidelidade à rainha e a seus sucessores, assim como os recrutas das Forças Armadas do país.

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