Proliferação de patrulhas cidadãs divide a Itália

Defensores dizem que elas ajudam a manter a ordem, mas opositores apontam intimidação a imigrantes

BBC Brasil, BBC

05 Outubro 2009 | 10h48

 A proliferação dos grupos de patrulha cidadã desde a legalização da prática pelo governo, no início do ano, vem dividindo a Itália. Os defensores desses grupos, formados por cidadãos comuns para supostamente ajudar no combate ao crime nas cidades, argumentam que eles ajudam a manter a lei e a ordem. Mas os opositores da ideia afirmam que seu objetivo final é a intimidação, especialmente de imigrantes.

 

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Os grupos formados por voluntários têm autorização para patrulhar as ruas, mas sem armas nem remuneração. Em Messina, porto de entrada da Sicília, um grupo autodenominado Guarda Nacional Italiana diz já ter 2,5 mil membros. O grupo é liderado por Gaetano Saya, político de extrema direita que já foi indiciado em 2005 por incitação ao ódio racial.

Em um vídeo de uma reunião do grupo obtido pela BBC, um seguidor de Saya aparece fazendo uma saudação nazista e é recebido com aplausos. O uniforme do grupo, com sua camisa cáqui e insígnias nas mangas, está sendo comparado com as camisas negras dos seguidores do fascismo nos anos 1930.

 

Os "camisas negras" eram conhecidos por intimidar os opositores e por ajudar na manutenção do ditador Benito Mussolini no poder. O uniforme da Guarda Nacional de Messina está sob investigação, mas as patrulhas cidadãs permanecem legais.

Para muitos dos patrulheiros, os imigrantes são realmente um dos focos de suas ações. "A maioria dos imigrantes aqui é ou traficante de drogas ou prostituta. Eles deveriam ficar nos seus países, porque aqui eles não têm o que fazer, não há trabalho para eles", afirma a patrulheira Maria Antonietta Cannizzaro, da Guarda Nacional Italiana.

Para os opositores, dar a grupos como esse o poder de patrulhar as ruas vai contra o Estado de direito. "Se o monopólio da segurança pública é quebrado, e dado a grupos privados, isso significa o fim da democracia. Significa o fim da oportunidade do cidadão de ter sua segurança garantida pelo Estado", afirma o deputado Jean Leonard Touadi, originário do Congo e primeiro negro a ser eleito para o Parlamento italiano.

 

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