Promotor pede a tribunal da Itália que anule absolvição de Amanda Knox

Um promotor pediu ao principal tribunal da Itália nesta segunda-feira que anule a absolvição da norte-americana Amanda Knox e de um ex-namorado dela pelo assassinato da estudante britânica Meredith Kercher.

Reuters

25 de março de 2013 | 17h22

O corpo seminu de Meredith, com mais de 40 ferimentos e um corte fundo na garganta, foi encontrado no apartamento que ela dividia com Amanda em Perugia em 2007.

A Corte de Cassação, a última instância de apelação da Itália, deve decidir na segunda ou terça-feira se vai iniciar o processo de um novo julgamento ou manter o veredicto de 2011, fechando definitivamente o caso.

"Neste julgamento, o juiz se perdeu", disse o promotor Luigi Riello ao tribunal, instando-o a aceitar o pedido de apelação dos promotores de Perugia e dos advogados da família de Meredith, que dizem que o veredicto tinha falhas e deixou aspectos centrais do caso inexplicados.

Tanto os advogados de Amanda, Luciano Ghirga e Giulia Bongiorno, quanto um advogado do ex-namorado de Amanda Raffaele Sollecito, disseram que estavam confiantes de que o tribunal manteria o veredicto liberando seus clientes da acusação de homicídio.

A Promotoria acusou Amanda e Sollecito de matar Meredith em um ataque sexual instigado por drogas. Inicialmente, eles foram considerados culpados e sentenciados a 26 e 25 anos de prisão, respectivamente, depois de um julgamento que saiu nos jornais do mundo todo.

Em 2011, suas condenações foram derrubadas e eles foram libertados depois de cumprirem quatro anos de prisão.

"Nós todos ainda sentimos terrivelmente a falta de Meredith", disse sua irmã Stephanie em comunicado nesta segunda-feira. "Uma linda jovem, minha irmãzinha, nos foi tirada cedo demais de maneira tão brutal, com tantos fatores inexplicados".

A decisão desta segunda-feira, que será feita em questões processuais, não de mérito, pode ser o último desenvolvimento em um caso cujo tratamento inicial foi muito criticado por especialistas forenses independentes.

"Parece haver muito pouca crítica dos aspectos técnicos do julgamento", disse Ghirga.

No ano passado, a promotoria entrou com uma moção para apelar contra as absolvições, descrevendo o veredicto de "ilógico e contraditório".

Francesco Maresca, um advogado que representa a família de Meredith, disse em comunicado nesta segunda-feira que as absolvições tinham sido "falhas" e "sem transparência".

"Houve muita pressão externa e o juiz mostrou uma vontade desde o início de absolver", disse Maresca.

Se a Corte de Cassação confirmar o pedido e decidir retomar o julgamento, novas audiências serão feitas em uma data posterior.

Amanda voltou para casa na região de Seattle depois de ser libertada da prisão na Itália e deve falar publicamente sobre o julgamento pela primeira vez na televisão norte-americana em abril, quando seu livro de memórias deve ser lançado.

(Reportagem de Virginia Alimenti e Catherine Hornby)

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