Promotora do TPI quer processar presidente eleito do Quênia

A promotora-chefe do Tribunal Penal Internacional (TPI) disse nesta quarta-feira que o presidente eleito do Quênia, Uhuru Kenyatta, vai ser processado por acusações de crimes contra a humanidade, mas que ainda não se sabe quando isso irá ocorrer.

Reuters

20 de março de 2013 | 20h22

Kenyatta, cuja eleição neste mês está sendo contestada por seu adversário, enfrenta acusações no TPI por causa de incidentes violentos ocorridos depois da eleição queniana de 2007.

Mas advogados dele disseram na segunda-feira que as acusações devem ser arquivadas porque o processo contra outro réu no mesmo caso perdeu a sustentação por causa do recuo de uma testemunha.

"Não vamos retirar as acusações", disse a procuradora Fatou Bensouda a jornalistas em Paris, na França. "Não é uma questão se vai a julgamento, mas de quando vai a julgamento."

Bensouda disse temer que situações de suborno, intimidações e falta de cooperação governamental vistas em outros casos no Quênia afetem o processo contra Kenyatta.

"Ainda temos dificuldades com intimidações de testemunhas", disse ela à Reuters. "Não está parando, e acho que vai ficar mais sério."

Advogados de Kenyatta dizem que as acusações contra ele se baseiam em boatos, agora que a testemunha retirou seu depoimento no processo contra o ex-funcionário público Francis Muthaura.

Kenyatta e Muthaura estavam entre os seis suspeitos inicialmente acusados por promotores do TPI de terem orquestrado a violência depois da eleição de 2007, quando cerca de 1.200 pessoas morreram.

"O Quênia representa a situação mais difícil que o nosso escritório já teve de lidar", disse Bensouda.

(Reportagem de John Irish)

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