Promotores querem julgar premiê da Itália por crime sexual

Promotores italianos solicitaram na quarta-feira autorização para levar o primeiro-ministro Silvio Berlusconi a julgamento imediato por causa de um escândalo de prostituição que ameaça derrubar seu governo de centro-direita.

MANUELA D'ALESSANDRO, REUTERS

09 de fevereiro de 2011 | 18h37

Os promotores acusam Berlusconi de ter pagado para fazer sexo com uma dançarina menor de idade, o que é crime na Itália. Afirmam também que ele cometeu abuso de poder ao pressionar a polícia a libertar a moça, presa por suspeita de furto.

Berlusconi, de 74 anos, se diz vítima de uma "asquerosa e lamentável" perseguição política de promotores com "propósitos subversivos."

A solicitação da promotoria, anunciada numa sucinta nota, significa que as autoridades consideram ter provas suficientes para pular a fase preliminar do processo e ir direto ao julgamento.

No mês passado, a imunidade constitucional do premiê foi derrubada pela Corte Constitucional italiana. Berlusconi também está envolvido em suspeitas de evasão fiscal, enriquecimento ilícito e corrupção.

"Sou um homem rico que poderia passar a vida construindo hospitais para as crianças do mundo, como sempre quis fazer", defendeu-se Berlusconi perante jornalistas. "Mas estou cumprindo um serviço ao país e fazendo muitos sacrifícios."

Politicamente, Berlusconi também se encontra em situação delicada, depois de ter perdido, meses atrás, o apoio de uma parcela importante do seu partido Povo da Liberdade.

Um juiz de Milão terá agora cinco dias para decidir se acata o pedido da promotoria contra Berlusconi. Em caso positivo, o julgamento pode começar dentro de dois meses.

A acusação de fazer sexo com uma prostituta menor de idade acarreta pena de até três anos de prisão; a de abuso de poder pode render até 12 anos.

Berlusconi nega ter feito sexo com a jovem marroquina Karima el Mahroug, conhecida como Ruby, mas admitiu que ligou para a polícia intercedendo em seu favor, por acreditar que ela fosse sobrinha do presidente egípcio, Hosni Mubarak.

"Intervim como chefe de governo porque estava preocupado que pudesse haver um incidente diplomático e porque estou acostumado a ajudar pessoas em dificuldades, então a acusação de abuso de poder é risível."

As pesquisas mostram que o escândalo abalou a imagem do primeiro-ministro, mas sem derrubá-lo definitivamente. Dividida, a oposição parece ter pouca chance de chegar ao poder caso Berlusconi se veja obrigado a antecipar eleições.

Mas o processo torna ainda mais acirrado o clima político na Itália, o que deve dificultar a adoção de reformas importantes.

(Reportagem adicional de Antonella Ciancio, Catherine Hornby e Paolo Biondi)

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