Jacques Brinon/AP
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Promotoria de Paris vai apelar contra absolvição de Villepin

Ex-premiê era acusado de participar de complô para denegrir Sarkozy quando disputavam candidatura

Efe e Associated Press,

29 de janeiro de 2010 | 07h58

A Promotoria de Paris anunciou nesta sexta-feira, 29, que apelará contra a absolvição do ex-primeiro-ministro da França Dominique de Villepin no "caso Clearstream", fazendo com que haja um novo julgamento no final deste ano ou no início do ano que vem.

 

O fiscal chefe de Paris, Jean-Claude Marin, afirmou à rádio Europe 1 que recorrerá da sentença ditada na quinta-feira pelo Tribunal Correcional de Paris, que absolvia Villepin e culpava o vice-presidente da construtora aeronáutica europeia EADS, Jean-Louis Gergorin, e o matemático Imad Lahoud no caso de corrupção.

 

Marin indicou que apelará a sentença porque ela não analisou toda a verdade do caso. "Não foi dito tudo neste caso. Ainda há espaço para que seja contada uma parte da verdade", assegurou o fiscal.

 

O tribunal decidiu que não havia razão para condenar Villepin, de 56 anos, por cumplicidade na calúnia contra Sarkozy, em 2004. Sarkozy acusava o ex-primeiro-ministro de envolvê-lo em um escândalo de corrupção fabricado, usando uma lista falsa de contas bancárias do Clearstream, banco de Luxemburgo. Na época, os dois políticos disputavam quem seria o sucessor do então presidente da França, Jacques Chirac. Sarkozy era então ministro das Finanças.

 

Os advogados de Villepin haviam alegado que o ex-premiê era inocente quanto às acusações de calúnia e falsificação de documentos. A promotoria havia recomendado à Corte uma sentença de 18 meses de suspensão das atividades políticas e uma multa de cerca de US$ 67 mil dólares.

Villepin era um dos maiores adversários políticos de Sarkozy, mas as acusações o retiraram temporariamente da política. Acredita-se que uma vitória judicial de Villepin pode melhorar sua chance de voltar à política, talvez mesmo buscando a presidência em 2012. O ex-premiê ganhou projeção mundial por sua oposição à guerra dos EUA no Iraque.

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