Promotoria recebe inquérito contra pais de Madeleine

Suspeitos do desaparecimento da filha, casal McCann procura jurista que evitou extradição de Pinochet

Agências internacionais,

10 de setembro de 2007 | 07h38

A Polícia portuguesa deve entregar nesta segunda-feira, aos promotores do Ministério Público, as conclusões das investigações sobre o desaparecimento da menina britânica Madeleine McCann, em que os pais são oficialmente apontados como os principais suspeitos.   Veja também:  Falhas no caso Madeleine   Segundo a BBC, depois de terem sido considerados suspeitos pelo desaparecimento da própria filha, os pais Gerry e Katherine McCann, anunciaram em um comunicado no domingo que devem se consultar com o advogado Michael Caplan, que defendeu o ex-ditador Augusto Pinochet. Sócio de um dos mais respeitados escritórios de advocacia internacional da capital britânica, a Kingsley Napley, Caplan ganhou fama ao conseguir evitar que Pinochet fosse extraditado do Reino Unido de volta ao Chile. Os pais de Madeleine foram considerados formalmente suspeitos no caso do desaparecimento da filha e voltaram para o Reino Unido no domingo. Ambos afirmam não ter participação no desaparecimento da menina de quatro anos, de um hotel no balneário Praia da Luz, em Portugal, em 3 de maio. No entanto, a polícia judiciária portuguesa afirma ter encontrado vestígios do sangue da menina em um carro que foi alugado pelo casal quase um mês após o desaparecimento dela. Já no Reino Unido, Gerry McCann disse que o casal decidiu voltar ao país por causa dos filhos gêmeos e pediu para que a privacidade da família seja respeitada. "Nós queremos que os gêmeos, na medida do possível, vivam uma vida comum em seu país, e nós queremos refletir sobre os desdobramentos dos últimos dias, que foram perturbadores", disse McCann, mostrando emoção ao ler o comunicado que havia preparado. "Apesar de haver muito o que gostaríamos de dizer, nós não podemos dizer mais que isso: nós não tivemos participação alguma no desaparecimento da nossa filha querida, Madeleine". Em Portugal, uma porta-voz da família, Justine McGuinness, disse que o casal teve o consentimento da polícia portuguesa para voltar para o Reino Unido.   Intimidação Katherine e Gerry McCann foram declarados suspeitos de envolvimento no desaparecimento da filha depois de serem interrogados por várias horas na semana passada.   Em entrevista ao jornal britânico Sunday Mirror, Katherine McCann disse que, durante o interrogatório, a polícia portuguesa a pressionou para confessar ter matado a filha acidentalmente. Ela disse que a polícia "quer que (ela) minta - eu estou sendo ''enquadrada''". Na sexta-feira, antes de ser declarada suspeita, Katherine disse ainda que "a polícia não quer um assassinato em Portugal e toda a publicidade sobre o fato de que o país não tem nenhuma lei contra pedofilia, então eles estão nos culpando". Gerry McCann disse a outro jornal britânico, o News of the World, que os policiais portugueses querem solucionar o caso rapidamente e estão investigando aparentes discrepâncias na explicação dada pelo casal sobre o que aconteceu no dia do desaparecimento. "Em um sistema que você não conhece e não confia, isso é incrivelmente assustador", afirmou o pai de Madeleine na entrevista. Gerry McCann disse que ele e a mulher pensavam estar vivendo o "pior pesadelo de suas vidas, mas agora tudo continua ficando ainda pior". Devido a restrições impostas pela lei portuguesa, a polícia não pode responder às alegações feitas pela família.   Madeleine McCann desapareceu em 3 de maio quando dormia junto com seus irmãos gêmeos em um quarto de hotel no Algarve, enquanto seus pais jantavam em um restaurante a cerca de 50 metros.

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