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Prostituta de luxo desafia Berlusconi a confronto público

Patrizia D'Addario pede acareação pública com o premiê italiano sobre técnicas de conquista, poder e sexo

11 de setembro de 2009 | 10h18

Patrizia D'Addario, a prostituta de luxo que diz ter recebido para participar das festas privadas do primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, desafiou o líder a um confronto público. "Convido ao presidente (Berlusconi) a uma acareação pública para discutir nossos assuntos privados, como as relações entre homens e mulheres; as técnicas de conquista, assim como sexo e poder", afirmou Patrizia em declarações a imprensa italiana que publica nesta sexta-feira, 11, o jornal Corriere della Sera.

 

A declaração da jovem chegou em resposta às feitas por Berlusconi numa coletiva com o presidente do governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, na ilha italiana da Maddalena, no final da cúpula bilateral entre ambos países. Berlusconi se referiu a uma mulher que tinha inventado um escândalo e sobre a possibilidade processá-la, mas sem pronunciar nomes. Indicou, além disso, que a mulher tinha cometido quatro delitos com os quais se arriscava a ser condenada a 18 anos de prisão.

 

Berlusconi admitiu na quinta-feira pela primeira vez que mulheres foram levadas a sua casa pelo empresário Giampaolo Tarantini, mas ele reiterou que não pagou por sexo e declarou ser "de longe, o melhor premiê que a Itália teve em 150 anos". Em trechos de seu depoimento à polícia, Tarantini disse ter levado mais de 30 prostitutas a festas na casa de Berlusconi e pelo menos 6 delas passaram a noite lá. Alguns encontros ocorreram quando o premiê cancelou compromissos oficiais.

 

Entre as prostitutas, há algumas atrizes, apresentadoras de TV, ex-participantes de reality shows e "algumas brasileiras", segundo ele - a única citada nominalmente pela imprensa italiana foi Camilla Cordeiro Charão.

 

"Prostituição e cocaína são os ingredientes para se obter sucesso na sociedade italiana", disse o empresário, que acrescentou que Berlusconi não sabia que as mulheres eram pagas e não deu detalhes sobre quem usava a droga durante as festas. Tarantini, 36 anos, é conhecido na Itália como "Rei das Próteses". Ele confessou que usou as mulheres para se aproximar de autoridades do governo italiano e obter em troca contratos oficiais para a compra de próteses e mesas de cirurgia. Segundo ele, as mulheres eram convidadas para as festas e tinham todas as despesas pagas. No fim da noite, algumas seguiam para um hotel, mas as que ficavam na casa de Berlusconi levavam 1 mil.

 

Após a noite com Berlusconi, segundo Patrizia, ela teria pedido que o premiê mandasse alguém liberar uma licença para a construção de um imóvel em Bari. "Em vez disso, ele me ofereceu um posto no Parlamento Europeu", disse Patrizia. Contrariada, ela deu entrevistas a um jornal francês contando suas passagens pelo Palazzo Grazioli, residência de Berlusconi em Roma.

 

"Para mim, era óbvio que todas as meninas que estavam nas festas eram garotas de programa. A certa altura, Berlusconi perguntou a elas se queriam trabalhar na televisão, entrar para a política ou participar do Grande Fratello (o Big Brother italiano)" disse Patrizia, que confidenciou também que o premiê não usou preservativos.

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