Protesto contra trem-bala se espalha pela Itália

Manifestantes contrários à construção de um trem-bala ligando a Itália à França bloquearam ruas, rodovias e estações ferroviárias em várias cidades italianas, na quinta-feira, num protesto que já dura bastante tempo, mas está cada vez mais disseminado e violento.

ELISA SOLA, REUTERS

01 de março de 2012 | 20h36

Cerca de mil pessoas ocuparam um trecho da rodovia em Val di Susa, um vale alpino próximo a Turim, onde deve haver obras da ferrovia. Eles montaram barricadas e fogueiras com pneus e sucata.

Outros manifestantes bloquearam os trilhos da principal estação ferroviária de Turim, impedindo a partida de trens. Bolonha, Genova, Trieste e Palermo tiveram protestos semelhantes. Em Milão, houve confronto na estação entre manifestantes e a tropa de choque da polícia.

Em Roma, cerca de cem pessoas queimaram latões de lixo e invadiram a sede do Partido Democrático, de centro-esquerda, que tem se desvinculado das manifestações.

Durante a noite, houve confrontos entre manifestantes mascarados que atiravam pedras e policiais que usaram jatos de água e gás lacrimogêneo para dispersar a multidão.

A polícia disse que 29 policiais ficaram feridos nos distúrbios. Os manifestantes afirmaram que cem civis saíram machucados. Esse foi o mais importante protesto contra o governo tecnocrata do premiê Mario Monti desde a posse dele, em novembro.

"O que vimos durante a noite foi realmente uma guerra urbana", disse Sandro Plano, que representa os 23 prefeitos de Val di Susa contrários à ferrovia. "Eles não poderão resolver o assunto com cassetetes e gás lacrimogêneo. O governo precisa ouvir as pessoas."

O governo diz que não vai desistir da obra, e Monti afirmou que vai se reunir na sexta-feira com ministros para discutir as questões de segurança relacionadas ao projeto.

Em nota, o Ministério do Interior disse que o governo regional de Piemonte e a prefeitura de Turim continuam comprometidos com o "essencial" projeto do trem-bala.

A obra, prevista em um protocolo assinado em 2001, custará 15 bilhões de euros (20 bilhões de dólares), com verbas da União Europeia.

Críticos dizem que haverá danos ambientais e à paisagem, e que o dinheiro poderia ser usado de maneiras melhores para tirar a Itália da sua atual crise.

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