Protestos ameaçam sobrevivência do governo da Grécia

Manifestações por morte de jovem pela polícia é apenas o estopim de insatisfação com premiê, dizem analistas

Reuters,

09 de dezembro de 2008 | 15h50

Os protestos de jovens irritados pela má situação econômica e escândalos políticos podem em breve ameaçar a sobrevivência do governo conservador grego. Os confrontos com a polícia eclodiram em Atenas e outras cidades gregas depois de policiais matarem um adolescente em Exarchia, instável bairro da capital da Grécia, no sábado, mas analistas e sociólogos acreditam que as raízes dos protestos são mais profundas.   Veja também: Grécia tem novos distúrbios no dia do funeral de jovem Oposição pede queda de governo após protestos  Galeria de fotos dos protestos    "Os distúrbios começaram por causa da morte, mas isso foi apenas a cereja do bolo; o problema é a política econômica do governo, os escândalos e sua apatia", afirmou Takis Kafetzism, professor de política na Universidade de Peloponnese. Essa semana pode ser decisiva, com o governante partido da Nova Democracia estando a um cargo para obter a maioria no Parlamento e uniões de trabalhadores preparando uma greve geral de 24 horas na quarta-feira, contra uma reforma no sistema de pensões, privatizações e custo de vida.   "Se tivermos protestos de novo, e vermos Atenas queimando, não poderemos excluir eleições (adiantadas)", acrescenta Peloponnese. Depois de uma década de crescimento econômico no país, membro da União Européia com 11 milhões de habitantes, o governo do primeiro-ministro Costas Karamanlis enfrenta crescentes problemas durante a crise econômica global.   O crescimento econômico da Grécia deve ficar em 2%, depois de uma média de 4% que o país teve na década passada. O desemprego é de 7% e continua crescendo, enquanto a inflação se mantém alta. Mesmo antes dos protestos, o Nova Democracia estava atrás do oposicionista Partido Socialista por mais de cinco pontos nas pesquisas de opinião. As falhas na contenção dos manifestantes, que atearam fogo em carros e escritórios e deixaram prejuízos de milhões de euros, poderão afetar ainda mais a popularidade do governo.   Acusando o governo de pouca ação, o tablóide The Country publicou uma montagem na primeira página de Karamanlis como o imperador romano Nero, vestido com um manto enquanto Atenas queimava atrás dele. "Os protestos terão um impacto negativo nas pesquisas porque as pessoas vêem o governo como fraco", declarou Anthony Livanios, chefe do instituto de pesquisas Alpha Metrics. "Se isso continuar, terá efeitos desastrosos para o governo e sua estabilidade."   Histórico de violência   A Grécia tem um histórico de protestos violentos. Estudantes enfrentam a polícia a cada aniversário de uma demonstração em 1973 que ajudou a derrubar a junta militar. Socialista dizem que a polícia varreu o crime e as drogas em distritos específicos como Exarchia, onde enfrentam acusações de brutalidade contra jovens. "Nós estamos atravessando uma crise devido a um sistema político e social falho", disse a socióloga Eleni Bassagianni. "Não está claro qual é o papel da polícia, qual é seu trabalho, e os cidadãos não sabem quais são seus direitos e responsabilidades."   O boom econômico na Grécia fez muitas fortunas, mas também deixou um quinto da população abaixo da linha da pobreza, mesmo antes da crise econômica começar a afetar os mercados globais. As tentativas do governo de endurecer as leis de pensão e privatizar companhias gerou acusações da oposição socialista grega e das poderosas uniões de trabalhadores, que dizem que o governo apenas se preocupa com sua prosperidade.   Uma série de grandes escândalos - de vendas superfaturadas de títulos públicos a escutas telefônicas ilegais - também despertou críticas furiosas. Muitos gregos querem que alguém seja apontado responsável pela morte do jovem em Atenas. "Qualquer tentativa do governo de encobrir esse incidente deixará efeitos desastrosos. O garoto morto tinha apenas 15 anos, senhor Karamanlis, apenas nove anos mais velho que sua criança", escreveu Giorgos Papachristos no jornal local in Ta Nea.

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