Protestos anticrise avançam na Europa; França tem greve geral

Manifestação paralisa trens, metrôs e escolas francesas; fazendeiros começam a levantar bloqueios após 11 dias

Agências internacionais,

29 de janeiro de 2009 | 12h19

 Trabalhadores franceses temerosos com a crise econômica global realizam uma greve nacional nesta quinta-feira, 29. A manifestação deixou milhões de crianças sem professores e reduziu o número de funcionários em hospitais e no setor de transporte. Os funcionários do setor ferroviário lideram o que está sendo chamado de "Quinta-feira Negra" na França.  As demissões em massa anunciadas na Europa nas últimas semanas fazem com que milhares de pessoas tomem as ruas das principais capitais europeia em protesto contra seus governos. Na Grécia, fazendeiros bloquearam estradas. Na Islândia, o governo já caiu depois de protestos na semana passada. Bulgária, Letônia e Lituânia também enfrentam manifestações.  Em Paris, usuários dos trens desafiaram as frias temperaturas e seguiram de bicicleta, a pé e até em barcos para trabalhar. Uma lei de 2007 determina que um número mínimo de trabalhadores continue na ativa, mas os trens disponíveis estavam superlotados. A greve enfureceu o governo conservador do presidente Nicolas Sarkozy, que espera que a paralisação dure apenas um dia. Sarkozy não comentou o fato e, segundo auxiliares, acompanha os desdobramentos no palácio presidencial. Havia nas ruas da capital muitas mulheres e homens usando bicicletas para trabalhar. As marchas em protesto estavam programadas para todo o dia, em cerca de 200 cidades do país. Milhares de professores, carteiros e funcionários do setor médico estavam parados. Muitos bancos foram fechados e funcionários do setor industrial de empresas que demitiram também cruzaram os braços. No 11.º dia de protestos na Grécia, fazendeiros começaram a levantar os bloqueios nas estradas de todo o país depois de aceitar um pacote de apoio do governo, embora muitos manifestantes e mantenham os protestos. O setor rural exige aumento nos subsídios e abatimentos nos impostos para compensar as perdas. Os bloqueios são abertas por alguns momentos durante o dia.  O governo de coalizão da Islândia renunciou no início da semana como consequência da crescente crise econômica que envolve o país. Na semana passada, uma série de atos públicos foi organizada para protestar contra a atuação do governo na crise econômica. Os manifestantes acusaram as autoridades de tentar levar o país à ruína. Na Bulgária, centenas de pessoas pedem por reformas no sistema econômico e social nas duas últimas semanas de protestos contra o governo. Estudantes, professores, ativistas ambientais, médios e servidores públicos participaram de um ato na frente do parlamento de Sofia, pedido por uma reação do governo ou sua renúncia. No início do mês, centenas de manifestantes entraram em confrontos com a polícia, quebrando janelas e danificando carros na cidade durante um ato contra a corrupção e a lentidão das reformas para enfrentar a crise econômica. Na Letônia, um protesto com mais de 10 mil pessoas se transformou em tumulto, quando manifestantes tentaram invadir o Parlamento no dia 16 de janeiro. Na mesma data, policiais da Lituânia lançaram bombar de gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes que lançaram pedras contra o Parlamento em protesto pelos cortes nos gastos com segurança social. A polícia afirma que 80 pessoas foram presas e 20 feridas.

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