Protestos de estudantes atrapalham transportes na Itália

Passeatas estudantis em varias cidades italianas interromperam a circulação de carros e trens, pouco antes da votação de uma reforma educacional que gerou os maiores protestos das últimas décadas;

CATHERINE HORNBY, REUTERS

30 de novembro de 2010 | 19h36

Na semana passada, os estudantes ocuparam monumentos famosos da Itália, como o Coliseu romano e a Torre de Pisa. Desta vez, eles tomaram o centro da capital com cartazes que tinham dizeres como "a educação de joelhos". Atiraram ovos, legumes, garrafas e rojões na direção do Parlamento.

Mais tarde, alguns manifestantes interromperam avenidas importantes, e outros invadiram estações ferroviárias e se deitaram nos trilhos, paralisando o tráfego de trens.

Houve confrontos com a polícia quando os estudantes tentaram se aproximar do Parlamento. Protestos semelhantes em outras cidades também causaram tensão com as forças de segurança.

"Queremos ver uma reforma de base, não uma reforma que derive dos corredores do poder", disse o universitário Tommaso Ricci, 24 anos, na Universidade de Florença.

O primeiro-ministro Silvio Berlusconi atribuiu os transtornos a radicais de esquerda. "Os verdadeiros estudantes estão em casa, estudando", disse ele à agência de notícias Ansa.

A Câmara dos Deputados aprovou as reformas, e o tema agora segue para o Senado.

A ministra da Educação, Maristella Gelmini, afirma que as reformas, destinadas a pouparem bilhões de euros até o final de 2012, criam um sistema mais baseado no mérito. Críticos alegam que as mudanças reduzem ainda mais as verbas universitárias, que já enfrentam um déficit de 1,35 bilhão de euros para o ano que vem.

Os protestos na Itália são parte de uma onda de manifestações em toda a Europa contra medidas de austeridade adotadas por vários governos. Também na terça-feira, milhares de estudantes universitários e secundaristas saíram às ruas das principais cidades britânicas contra a proposta que praticamente triplica o valor das anuidades nas universidades.

(Reportagem adicional de Gabriele Pileri)

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