Protestos de jovens na Espanha crescem antes de eleições

Dezenas de milhares de espanhóis irritados com o desemprego protestaram pelo sexto dia seguido nesta sexta-feira, antes das eleições regionais marcadas para o próximo domingo, na qual os socialistas devem sofrer grandes perdas.

TRACY RUCINSKI E FIONA ORTIZ, REUTERS

20 de maio de 2011 | 19h43

Chamados de "los indignados", os manifestantes encheram as ruas e praças em cidades espanholas em uma onda de protestos contra as medidas de austeridade do governo, marcando uma mudança depois de anos de paciência com um longo declínio econômico.

Testemunhas disseram que ao menos 20 mil pessoas estavam na praça Puerta del Sol, no coração de Madri, nesta sexta, e mais estavam chegando, desafiando a lei que proíbe eventos políticos às vésperas de eleições -- que começa a contar a partir da meia-noite.

A Suprema Corte manteve o banimento a manifestações, mas a polícia não deve aplicar a decisão e provocar conflitos que podem prejudicar os socialistas na votação.

"Para resolver um problema, a polícia não pode criar outro", disse o ministro do Interior, Alfredo Pérez Rubalcaba.

O primeiro-ministro Jose Luís Rodríguez Zapatero, que falhou em diminuir a maior taxa de desemprego da União Europeia que chegou aos 21,3 por cento, disse que ele respeita os manifestantes, o que indicou falta de disposição para derrubar o movimento.

MANIFESTANTES VÃO FICAR

"Nós não vamos sair daqui", disse um homem de 44 anos desempregado que se negou a dar o seu nome. Ele estava entre as centenas que acamparam durante toda a semana na Puerta del Sol. "O nosso próximo movimento é levar isso para o resto da Europa."

Manifestantes pediram para as pessoas não votarem nos dois principais partidos no próximo domingo, os socialistas e o partido popular, de centro-direita.

Os espanhóis vão eleger 8.116 prefeituras e 13 de 17 governos regionais no domingo.

A Espanha tem sofrido para emergir da recessão. O colapso do setor de construção civil e o declínio nos gastos do consumidor atingiram os jovens de maneira particularmente dura -- 45 por cento das pessoas entre 18 a 25 anos estão desempregadas.

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