Protestos estudantis em Londres afetam coalizão britânica

Milhares de estudantes protestaram na terça-feira em toda a Grã-Bretanha contra o provável aumento nas tarifas universitárias, o que tumultuou o centro de Londres e causou divisões na coalizão de governo.

ISABEL COLES E MOHAMMED ABBAS, REUTERS

30 de novembro de 2010 | 17h46

O vice-premiê Nick Clegg, do Partido Liberal Democrata, foi ao Parlamento defender com vigor o aumento, algo que em maio, durante a campanha eleitoral, seu partido prometeu votar contra.

No lado de fora do Parlamento, ocorriam cenas bizarras de "gato e rato" envolvendo policiais e estudantes que saíam das rotas previstas para as manifestações.

Houve protestos semelhantes em outras grandes cidades, e não há sinais de que os estudantes irão aplacar sua ira contra a proposta que quase triplica o custo das anuidades universitárias, elevando-as a até 9.000 libras (14,5 mil dólares).

O aumento é parte das medidas de austeridade fiscal do governo conservador-liberal, que incluem cortes de 81 bilhões de libras nos gastos públicos dos próximos quatro anos.

"Estamos começando a voltar a como era quando só as classes superiores podiam ir à universidade", disse a manifestante Daisy Tolmie, de 18 anos.

Saoirise Cox, de 17 anos, afirmou: "Quero que eles percebam que somos um grupo político, e que não vamos deixar que eles levem isso adiante."

Os manifestantes se dizem traídos pelo governo, em especial pelos liberal-democratas, por causa da promessa pré-eleitoral de não aumentar as tarifas universitárias.

A questão gera cada vez mais constrangimento para o partido, e o secretário de Negócios, Vince Cable, um liberal-democrata cuja pasta é responsável pelas propostas, disse que pode se abster na votação, a exemplo de outros membros da bancada.

Até Clegg, que escreveu a líderes estudantis argumentando que o novo sistema seria mais justo, evitou dizer, durante o debate parlamentar, como se comportará na votação, prevista para antes do Natal.

"Se votar a favor, será a única posição com princípios", disse Harriet Harman, vice-líder da oposição trabalhista. "Caso se abstenha, estará tirando o corpo fora; se votar a favor, está vendido."

A eventual rebelião da bancada liberal-democrata não deve derrubar a proposta, mas abalaria as relações com os parceiros conservadores. No entanto, a popularidade dos liberais-democratas desabou desde que o partido conquistou o terceiro lugar na eleição deste ano e aceitou a coalizão com os conservadores. O partido, portanto, evitaria deixar o governo e forçar a antecipação de eleições.

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