Províncias separatistas não podem integrar a Geórgia, diz Rússia

Medvedev afirma que as forças de paz irão garantir 'a vontade do povo' na Ossétia do Sul e Abkházia

Agências internacionais,

15 de agosto de 2008 | 09h51

O presidente russo, Dmitri Medvedev, disse nesta sexta-feira, 15, que dificilmente as duas províncias separatistas da Geórgia optarão por integrar o território da ex-república soviética após os confrontos dos últimos dias. Em entrevista coletiva ao lado da chanceler alemã, Angela Merkel, Medvedev afirmou que as forças de paz russas irão garantir "a vontade do povo" das duas regiões.   Veja também: Rússia mantém ocupação de cidades na Geórgia Rice vai à Geórgia para garantir cessar-fogo Bush acusa Rússia de intimidar a Geórgia Rússia: escudo agrava relação com EUA Ouça o relato de Lourival Sant'Anna  Imagens feitas direto de Gori, na Geórgia  Godoy e Cristiano Dias comentam conflito  Entenda o conflito separatista na Geórgia Cronologia dos conflitos na Geórgia   A declaração de Medveded foi feita após uma semana do início dos conflitos entre tropas russas e georgianas desde que Tbilisi promoveu uma operação para retomar o controla da Ossétia do Sul, região pró-Moscou. Merkel afirmou que algumas das ações russas foram "desproporcionais" e pediu pela retirada dos militares das áeras centrais da Geórgia. Segundo a chanceler alemão, a solução para o conflito tem de respeitar a integridade territorial da Geórgia.   "Infelizmente, depois do que aconteceu, é improvável que os ossetianos e abecazes consigam viver dentro do mesmo Estado que os georgianos", disse Medvedev. O presidente russo ressaltou que a Rússia pode promover nova operação militar contra a Geórgia se o país voltar a atacar cidadãos ou tropas russas novamente. Na quinta-feira, Medvedev se encontrou com os presidentes ossétio, Edouard Kokoiti, e abkázio, Serguei Bagapch, e prometeu que a Rússia faria de tudo para que os dois territórios pudessem se dividir da Geórgia legalmente. A reunião foi um claro sinal de que, para Moscou, o conflito teve como conseqüência a perda das duas províncias pela Geórgia. Além disso, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, declarou que o mundo "pode esquecer essa conversa de integridade territorial da Geórgia".   O presidente russo afirmou que a "segurança na Ossétia do Sul foi restabelecida", mas disse que "as forças de paz russas continuarão sendo fiadores" da segurança no Cáucaso."Toda a responsabilidade de todas essas ações cruéis e ilegais recai sobre o governo georgiano", disse. Medvedev disse que "parece que o senhor (Mikhail) Saakashvili se cansou da diplomacia e, simplesmente, decidiu se livrar dos ossetas que o incomodavam", referindo-se ao presidente georgiano."É necessário que a paz na região seja restabelecida e garantida, para que não passe pela cabeça de ninguém idéias idiotas", afirmou.   Merkel disse ainda que a presença das tropas russas em território georgiano é "incorreta" e ressaltou que, "por isso, é necessário cumprir urgentemente o plano de seis pontos (apresentado esta semana pela União Européia e aceito por Moscou e Tbilisi), a fim de que as tropas russas saiam da Geórgia". "Há um progresso evidente. Confio em que todas as partes assinarão este plano e eu, com satisfação, ouvi que, na opinião da parte russa, este plano é um bom fundamento", acrescentou.   "Ainda levando em conta a versão russa dos eventos, de qualquer forma, declarei que considero desproporcional a reação russa", disse Merkel, citada pela agência Interfax, no balneário russo de Sochi, no Mar Negro. A chanceler ressaltou que "o ponto de partida deve ser a integridade territorial da Geórgia", ao afirmar que "não se pode esperar 15 anos para a regulação do conflito".   A chanceler alemã disse ainda que o conflito na Geórgia não é motivo para rever a postura da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) em relação à entrada deste país e também da Ucrânia na Aliança. Na cúpula da Aliança Atlântica em abril, em Bucareste, "dissemos que a Geórgia e a Ucrânia serão membros da Otan se assim desejarem. Este postulado se mantém imutável", disse. 

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