Putin alerta para nova crise de mísseis com os EUA

Rússia afirma que impasse sobre sistema de defesa dos EUA é semelhante ao criado com Cuba na Guerra Fria

Reuters e Efe,

26 de outubro de 2007 | 14h46

O presidente russo, Vladimir Putin, alertou nesta sexta-feira, 26, que o plano dos Estados Unidos para um escudo antimíssil na Europa pode gerar uma situação semelhante à crise dos mísseis de Cuba em 1962.   Veja também:  Tchecos rejeitam plebiscito para escudo antimísseis dos EUA   "Gostaria de lembrá-los como as relações estavam evoluindo em uma situação análoga em meados dos anos 1960", disse Putin a jornalistas após um encontro entre Rússia e União Européia em Portugal, quando questionado sobre os planos de Washington de instalar partes de um escudo antimíssil no Leste Europeu.   Washington estuda a possibilidade de colocar interceptores na Polônia e um radar na República Tcheca a fim de neutralizar um eventual ataque de países inimigos como o Irã, enquanto Moscou acredita que a iniciativa ameaça sua segurança.   Reagindo às declarações do presidente russo, Washington disse não haver "qualquer" possibilidade de comparação entre as duas situações.   A crise dos mísseis em Cuba deixou os Estados Unidos e a União Soviética à beira de uma guerra nuclear.   O impasse, ocorrido em 1962, foi desencadeado depois que aviões espiões americanos detectaram silos de mísseis nucleares soviéticos em Cuba, a poucos quilômetros de distância de seus alvos em território americano.   À época, a decisão de Moscou foi vista como uma resposta a construção de poderosas bases de mísseis americanos na Europa.   A tensão só foi contida depois que o líder soviético Nikita Khrushchev concordou desmantelar os silos cubanos em retorno ao comprometimento de Washington em não atacar Cuba.   Situações distintas   Apesar da ameaça, Putin especificou que uma crise nas proporções daquela não seria mais possível entre países que agora não são inimigos, e cooperam entre si, mas disse que a situação evoluiu na época de "forma parecida" com a que acontece hoje.   Ao final da cúpula de Portugal, Putin ressaltou que Moscou retirou os mísseis de Cuba e de outros países, e agora Washington pretende abrir bases perto de suas fronteiras.   No entanto, o presidente russo considerou "amigos" os EUA e o presidente americano, George W. Bush, e se mostrou convencido de que estão revisando os planos sobre o escudo antimísseis, após as objeções de Moscou.   Durante a entrevista coletiva que ocorreu depois da cúpula, Putin disse que não foi seu país que abandonou acordos sobre armamentos firmados durante a Guerra Fria, mas Washington, com seus planos de colocar o escudo no Leste Europeu. Com o desencadeamento da atual crise entre Washington e Moscou, o Kremlin deixou e ameaçou deixar uma série de tratados assinados durante os anos de tensão entre EUA e União Soviética.   "Não é a mesma situação e nós não somos inimigos. Eu posso chamar o presidente Bush de amigo. Mas nós apresentamos soluções e ainda não tivemos uma resposta", disse Putin, que destacou que a Rússia ofereceu compartilhar com os aliados ocidentais sistemas de prevenção e defesa diante de possíveis ameaças de mísseis.   Texto ampliado às 18h18

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