Putin ameaça apontar mísseis se Ucrânia entrar na Otan

Presidente das ex-República soviética afirma que o país tem direito de formar sua própria política externa

Reuters e Associated Press,

12 de fevereiro de 2008 | 14h58

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou na terça-feira que seu país pode ser obrigado a apontar mísseis para a Ucrânia, uma ex-República soviética, se o governo ucraniano ingressar na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e instalar em seu território componentes de um escudo antimíssil dos EUA. Quando questionado sobre a eventual adesão da Ucrânia à Otan, Putin, aparentemente exaltado, disse que esse fato poderia significar a instalação de parte do escudo norte-americano em solo ucraniano. O governo russo opõe-se aos planos dos EUA de estacionar componentes do escudo na Polônia e na República Tcheca, afirmando que essa medida abalaria o equilíbrio militar existente na Europa e representaria uma ameaça à segurança da Rússia. Após reunir-se com o presidente da Ucrânia, Viktor Yushchenko, Putin afirmou que o verdadeiro objetivo do escudo norte-americano é "a neutralização de nosso potencial nuclear, o que obrigará a Rússia a adotar medidas retaliatórias". "Não estou apenas horrorizado por dizer isso, mas é assustador o mero fato de pensar que a Rússia, em resposta a uma eventual instalação disso (de elementos do escudo), teria de apontar seus sistema ofensivo de mísseis para a Ucrânia", afirmou o dirigente em uma entrevista coletiva concedida no Kremlin.   Yushchenko respondeu que a Ucrânia tem o direito de formar suas próprias políticas externa e de defesa, e destacou que a constituição ucraniana não permite a instalação de bases estrangeiras em seu território. "Entendam bem que tudo que a Ucrânia faz nessa direção não é de forma nenhuma direcionada para qualquer terceiro país, incluindo a Rússia", frisou. Os EUA não pediram à Ucrânia, um país de 47 milhões de habitantes visto pela Rússia como parte de sua esfera de influência, para participar do esquema proposto.

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