Putin: ampliar a Otan é construir 'novos muros de Berlim'

Em entrevista, primeiro-ministro da Rússia reforça rejeição ao tratado ocidental

Efe

31 de maio de 2008 | 12h25

O primeiro-ministro da Rússia, Vladimir Putin, disse que a ampliação da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), à qual se opõe, equivale a "erguer novas fronteiras na Europa, novos muros de Berlim, invisíveis (...) mas não menos perigosos".   "Nós nos opomos à ampliação da Otan em geral", disse Putin em entrevista publicada hoje pelo jornal "Le Monde", por ocasião da visita que fez esta semana à França. A viagem a Paris do agora primeiro-ministro russo foi a primeira de grande importância feita por ele ao exterior desde que assumiu o cargo, no início de mês.   Ao reafirmar a oposição de Moscou à ampliação da Otan, Putin argumentou que as novas ameaças, como a proliferação de armas, o terrorismo, as epidemias, o crime internacional e o tráfico de drogas, não podem ser resolvidos em "um bloco militar e político fechado".   Esses problemas devem ser solucionados com base em "uma ampla cooperação, com um enfoque global, e não seguindo a lógica dos blocos", frisou. Putin questionou as motivações reais de países ocidentais, sobretudo dos Estados Unidos, que promovem a entrada da Ucrânia e da Geórgia, antigas repúblicas soviéticas, na Aliança Atlântica. "Sabemos muito bem onde as decisões são tomadas: em um dos países líderes desse bloco.   Tememos que a adesão desses países se traduza na instalação de sistemas de mísseis que nos ameaçarão", afirmou, em referência à Ucrânia e à Geórgia. O primeiro-ministro destacou que os blocos político-militares "conduzem a uma limitação da soberania de todo país membro, impondo uma disciplina interna, como em um quartel".   Por outro lado, Putin defendeu sua atuação como presidente na guerra da Chechênia e nas operações das forças de segurança em casos de tomadas de reféns em massa, como o caso da escola em Beslan. "Caso tivesse tentado atuar de outro modo, tudo isso teria continuado até hoje. Tínhamos que nos opor às tentativas de desestabilização da Rússia", afirmou o primeiro-ministro, para quem fazer concessões a terroristas causa prejuízos maiores.   Ao ser perguntado sobre quem dirige a política externa da Rússia, Medvedev ou ele, Putin assegurou que "não há nenhuma ambigüidade". "O humilde servidor que sou se ocupa, antes de tudo, de temas econômicos e sociais", disse, lembrando em seguida que, como membro do Conselho de Segurança russo, lhe dizem respeito "outros temas".

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