Putin apresenta nova lei eleitoral condenada por opositores

Vladimir Putin submeteu uma legislação para alterar a forma como o Parlamento russo é eleito, uma medida que ele diz que vai avançar a democracia, mas críticos afirmam que se destina a reforçar o seu partido Rússia Unida.

STEVE GUTTERMAN, Reuters

01 de março de 2013 | 08h51

O projeto de lei defende que metade dos 450 assentos na Duma, a câmara baixa do Parlamento, sejam preenchidos por candidatos individuais de distritos, escolhidos pelos eleitores. Atualmente, todos os lugares são preenchidos por votos em partidos.

A legislação deverá ser aprovada. O partido Rússia Unida, leal a Putin, tem a maioria no Parlamento, apesar de ter perdido cadeiras na eleição de dezembro de 2011, que desencadeou os maiores protestos durante os 13 anos de seu governo.

Putin, que voltou à Presidência em maio passado para um mandato de seis anos e pode disputar a reeleição em 2018, apontou a legislação como parte dos esforços para melhorar a democracia em seu discurso Estado da Nação, em dezembro.

Mas opositores dizem que a lei visa assegurar que o Rússia Unida ganhe o maior número de assentos possível. O partido é muito menos popular do que Putin e teve sua reputação danificada por acusações de fraude na eleição de 2011.

A eleição para a próxima Duma será realizada no final de 2016.

Críticos do governo russo dizem que o sistema partidário tornou-se perigoso para o Rússia Unida, que ganhou menos de 50 por cento dos votos em 2011.

Eles dizem que o partido e o governo poderiam usar as alavancas do poder que detêm em todo o país para ganhar assentos, através de métodos que vão desde pressionar funcionários do Estado a votar e apoiar empresários ricos com dinheiro para montar campanhas eficazes.

"Praticamente tudo o que esta lei visa preservar é o monopólio do 'partido do poder'", afirmou o líder do partido liberal de oposição Yabloko, Serguei Mitrokhin, em um comentário publicado no site do partido.

(Reportagem adicional de Gabriela Baczynska)

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