Putin ataca 'mentalidade colonial' do Reino Unido

Para presidente russo, pedido para extradição de suspeito pela morte de Litvinenko é um insulto

Dmitry Solovyov, Reuters

24 Julho 2007 | 14h59

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, condenou nesta terça-feira, 24, a pressão britânica pela extradição do suspeito de ter envenenado e matado o ex-agente russo Alexander Litvinenko, dizendo que se trata de um insulto e de um resquício da mentalidade colonial.   "Eles devem ter esquecido que o Reino Unido não é mais uma potência colonial, que não restam mais colônias, e, graças a Deus, a Rússia nunca foi uma colônia britânica", disse Putin.   O Reino Unido e a Rússia entraram em uma acirrada disputa diplomática após a morte de Litvinenko, em novembro. Antes de morrer, o ex-agente da KGB acusou Putin de ser responsável pelo envenenamento que o levou ao falecimento.   As investigações britânicas apontaram para o também ex-agente russo Andrei Lugovoy, cuja extradição para o Reino Unido foi negada por Moscou por motivos constitucionais. A recusa resultou na expulsão de quatro diplomatas russos de Londres. A resposta do Kremlin veio no mesmo sentido, e quatro membros do corpo diplomático britânico tiveram que deixar Moscou.   Um porta-voz da Secretaria das Relações Exteriores britânica reagiu às declarações de Putin, em entrevista à Reuters: "Continuamos esperando a disposição por parte das autoridades russas de trabalhar conosco de forma construtiva para que esse crime, cometido no Reino Unido, seja julgado numa corte britânica".   Além do caso Litvinenko, as tensões entre a Rússia e o Reino Unido tem como agravante o fato de Londres servir de refúgio para uma série de desafetos do Kremlin, entre eles o empresário Boris Berezovsky.   "Em Londres eles têm 30 pessoas escondidas que são procuradas pelas nossas autoridades por terem cometido crimes graves", disse o presidente russo. "Mas Londres não se importa com isso."

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