Putin classifica sanções ocidentais como "estranhas" e fala em retaliação

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, declarou nesta sexta-feira que as novas sanções ocidentais contra seu país parecem “um pouco estranhas”, dado seu apoio às iniciativas de paz no leste da Ucrânia, e alertou que está cogitando novas retaliações.

DARYA KORSUNSKAYA, REUTERS

12 de setembro de 2014 | 16h07

A União Europeia e os Estados Unidos aprofundaram as punições econômicas a Rússia, acusando-a de enviar tropas para apoiarem os separatistas pró-Rússia que combatem forças do governo ucraniano no leste.

Putin, que vem negando reiteradamente qualquer envolvimento no conflito e já reagiu com a proibição de importações do Ocidente, entre outras medidas, disse que seu governo está analisando outras maneiras de contra-atacar.

“No tocante a medidas retaliatórias, o governo está pensando nelas, mas só aquelas que irão criar melhores condições para nós serão aplicadas”, afirmou ele depois de uma reunião do bloco de segurança Organização de Cooperação de Xangai.

“Não prejudicaremos a nós mesmos”, acrescentou o mandatário em Dushanbe, capital da ex-república soviética do Tajiquistão, na Ásia Central.

As economias da Rússia e da Europa estão profundamente interligadas. Richard Branson, fundador da companhia aérea britânica Virgin Atlantic, disse nesta sexta-feira que a Rússia seria a maior perdedora se levasse a cabo sua ameaça de banir empresas aéreas de sobrevoar seu território.

O agravamento das sanções da UE se depara com uma oposição crescente de uma série de países do bloco que temem uma retaliação da Rússia, sua maior fornecedora de energia.

A UE afirmou que pode anular algumas ou até todas as sanções dentro de semanas se Moscou respeitar a frágil trégua na Ucrânia e as outras partes do plano de paz acordado neste mês para pôr fim ao pior confronto entre a Rússia e o Ocidente desde a Guerra Fria.

“No que diz respeito a estas sanções, que entraram em vigor ontem (quinta-feira) ou hoje, elas parecem um pouco estranhas”, afirmou Putin.

“Quando a situação ruma para uma resolução pacífica, são adotadas ações que objetivam interromper o processo de paz”, acrescentou.

As sanções mais recentes atingem as maiores produtoras estatais de petróleo e operadoras de gasodutos, a Rosneft ROSN.MM, a Transneft TRNF_p.MM e a Gazprom Neft SIBN.MM, limitando sua capacidade de obter capital nos mercados europeus.

“Há muito tempo estamos convencidos de que sanções como instrumento de política externa são ineficazes e quase nunca dão o resultado esperado – nem em relação a países pequenos. É claro que uma política de sanções inflige certo dano, inclusive naqueles que as aplicam”, afirmou Putin.

(Reportagem de Darya Korsunskaya e Alexei Anishchuk)

Mais conteúdo sobre:
RUSSIAPUTINATUALIZA*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.