Putin comanda teste de arsenal nuclear da Rússia

O presidente russo, Vladimir Putin, assumiu um papel de liderança nos mais recentes testes do arsenal nuclear estratégico da Rússia, os mais abrangentes desde o colapso soviético de 1991, disse o Kremlin no sábado.

STEVE GUTTERMAN, Reuters

20 de outubro de 2012 | 17h11

Os exercícios, feitos na maior parte na sexta-feira, apareceram com destaque no noticiário da televisão estatal, e pareciam ter por objetivo mostrar aos russos e ao mundo que Putin é o comandante-chefe de uma potência ressurgente.

Os testes envolvendo os sistemas de comando e todos os três componentes da tríade nuclear - mísseis nucleares de longo alcance lançados por terra e mar e bombardeiros estratégicos - foram conduzidos "sob a liderança pessoal de Vladimir Putin", disse o Kremlin.

Um Míssil Balístico Intercontinental (ICBM) Topo RS-12M foi lançado de uma instalação em Plesetsk no norte da Rússia, e um submarino lançou outro ICBM do Mar de Okhotsk, disse o Ministério da Defesa. Bombardeiros de longo alcance Tu-95 e Tu-160 dispararam quatro mísseis guiados que atingiram seus alvos em um teste de distância na região de Komi, no noroeste, disse.

"Exercícios de forças nucleares estratégicas foram conduzidos em tal escala pela primeira vez na história moderna da Rússia", dizia o comunicado do Kremlin. "Vladimir Putin deu nota alta às unidades de combate e tripulação e o trabalho do Estado-Maior das Forças Armadas, que cumpriu as tarefas antes deles e afirmaram a confiabilidade e a eficácia das forças nucleares da Rússia." Os exercícios incluíram testes de sistemas de comunicação e "novos algoritmos" para comando e controle, disse.

A Rússia disse que está modernizando um arsenal nuclear que foi largamente criado durante a Guerra Fria e vai continuar a usar armas nucleares como um dissuador vital. No tratado Novo START 2010, Rússia e Estados Unidos definiram tetos numéricos mais baixos sobre as armas testadas no exercício.

Mas Putin deixou claro que mais cortes dependem, entre outras coisas, de Washington acalmar suas preocupações sobre defesas antimísseis que está posicionando, incluindo um escudo europeu que a Rússia diz que vai torná-la mais vulnerável. Líderes russos e norte-americanos dizem que a guerra nuclear entre os rivais da Guerra Fria agora é impensável.

Mas críticos dizem que Putin - no poder desde 2000 e de volta como comandante-em-chefe militar desde seu retorno ao Kremlin em maio, depois de quatro anos como primeiro-ministro - está exagerando ameaças potenciais do Ocidente para ganhar mais apoio em casa.

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