Putin considera ampliação da Otan como 'ameaça direta'

Presidente russo diz que medida seria "impedimento sério" para a cooperação entre Moscou e a aliança

Agências internacionais,

04 de abril de 2008 | 09h51

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, declarou nesta sexta-feira, 4, depois de um encontro com líderes da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), que considera impossível uma nova Guerra Fria porque "isso não é do interesse de ninguém". Ele reiterou ainda que Moscou considera percebe "uma ameaça" a possibilidade que a aliança seja ampliada até suas fronteiras, em alusão à tentativa de inclusão da Ucrânia e Geórgia, e que a medida seria um "impedimento sério" para a cooperação entre Moscou e a Aliança Atlântica.   Veja também: Otan aprova proposta de escudo antimísseis dos EUA na Europa Otan engaveta plano de adesão da Ucrânia e da Geórgia   Numa conversa com jornalistas em Bucareste, onde ocorre a reunião de cúpula da Otan deste ano, Putin disse ter considerado positivos os encontros que manteve com o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, e com outros líderes da aliança atlântica. Segundo o líder russo, sua mensagem aos EUA e aos demais países da Otan foi "sejamos amigos".   "O surgimento em nossas fronteiras de um bloco militar baseado no artigo 5 é percebido pela Rússia como uma ameaça", disse o líder russo, após participar de reunião com todos os membros da Otan. Putin ressaltou que, para dissipar as inquietações russas, "não basta a promessa" da Aliança de que não é mais inimigo da Rússia e que sua ampliação não se dirige contra esse país. "Ouvimos no passado promessas como essas que não se cumpriram", disse.   O secretário-geral da Otan, Jaap de Hoop Scheffer, reconheceu que as futuras ampliações da Aliança para o Leste Europeu são uma polêmica nas relações com Moscou. Em entrevista coletiva, após a sessão em Bucareste, o secretário-geral disse que o espírito do encontro foi positivo e que aconteceu uma discussão "honesta e aberta, na qual não foram escondidos pontos de visita".   "Seria um erro falar de um choque de opiniões" no debate mantido entre as partes sobre as perspectivas de adesão da Ucrânia e da Geórgia, duas ex-repúblicas soviéticas, disse Scheffer. "Está claro que a ampliação é um assunto polêmico entre a Otan e a Rússia. Mas vamos ver mais ampliações, tenho 100% de certeza", disse o secretário-geral.   A reunião desta sexta, que fechou a cúpula de líderes da Aliança, teve a participação pela última vez dos dois fundadores do Conselho Otan-Rússia, o presidente em fim de mandato da Rússia, Vladimir Putin, e o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush. Os dois devem se reunir no próximo domingo em Sochi, no Mar Negro, onde debaterão sobre os planos dos EUA de instalar um escudo antimísseis na Europa, que a Rússia considera uma ameaça contra sua segurança. Scheffer disse que este assunto não foi tratado no Conselho, "provavelmente porque Bush e Putin falarão disso em Sochi".   Scheffer acrescentou que a sessão serviu para tratar os assuntos de desacordo entre as partes, como a situação no Kosovo, a ampliação da Otan para o Leste Europeu e a suspensão russa do Tratado de Armas Convencionais (Face).

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