Putin critica governos estrangeiros por darem apoio à oposição

O presidente russo, Vladimir Putin,acusou na quarta-feira o governo de outros países depatrocinarem a oposição nas eleições do próximo mês a fim deenfraquecer a Rússia e realizar "truques sujos" contra ela. "Infelizmente, ainda há pessoas em nosso país que continuamandando furtivamente nas embaixadas estrangeiras, que contamcom o apoio de fundos e governos estrangeiros, mas que não têmo apoio de seu próprio povo", disse Putin diante de umamultidão de milhares de pessoas, em um ginásio de esportes deMoscou. "Há os que nos enfrentam, que não nos desejam ver levandoadiante nossos planos porque possuem uma visão diferente daRússia. Eles precisam de um Estado frágil e fraco. Precisam deuma sociedade desorganizada e desorientada, de uma sociedadedividida, a fim de que possam realizar seus truques sujos portrás das costas dela." Ao som de músicas da era soviética, a multidão agitoubandeiras e faixas. E gritou palavras de apoio ao líder de 55anos, de longe o político mais popular da Rússia depois de oitoanos de forte crescimento da economia do país. "A vitória de Putin é a vitória da Rússia!", afirmava umgrande cartaz colocado no ginásio Luzhniki, no qual ossimpatizantes reuniram-se para participarem no último doseventos pró-Putin realizados em todo o país. O comício foi organizado pelo movimento "Para Putin", quepretende convencer o dirigente a continuar como líder do paísapós o término de seu segundo mandato, no próximo ano. AConstituição proíbe um terceiro mandato consecutivo. Putin, que usava um terno escuro e uma camisa pólo preta,não mencionou seus planos para o futuro, apesar de teremcirculado boatos nos meios de comunicação russos de que elefaria um anúncio. O presidente disse apenas que o governosofreria uma "renovação completa" nos próximos meses. "Amigos, nas eleições de 2 de dezembro, o destino do paísserá decidido de forma significativa", acrescentou."Mobilizem-se para ir votar pela Rússia Unida." Putin encabeça a lista de candidatos do maior partidogovernista nas eleições de dezembro, que escolherá osintegrantes da Duma (Câmara dos Deputados). Pesquisas deopinião mostram que mais de 60 por cento dos eleitores votarãona legenda Rússia Unida. O presidente disse que a esperada vitória arrasadora dopartido lhe dará o "direito moral" de influenciar o governomesmo depois de sair de seu cargo. Putin não esclareceu, porém,como fará isso.

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