Putin defende o Irã e denuncia tentativas de impedir sua visita

Em entrevista anual, presidente russo lembra parceria com Teerã e rechaça ação militar contra projeto nuclear

Agências internacionais,

18 de outubro de 2007 | 11h15

O presidente russo, Vladimir Putin, defendeu nesta quinta-feira, 18, o diálogo com o Irã e denunciou as tentativas de impedir sua primeira visita a Teerã, onde se reuniu com o presidente Mahmoud Ahmadinejad nesta semana. As declarações foram feitas durante a rodada anual de perguntas feitas pela população com transmissão na televisão.   Veja também:  Israel busca diálogo contra o Irã  Irã pede aos EUA que não façam afirmações 'ilógicas'  Rússia planeja novas armas nucleares  Putin pede que EUA definam retirada do Iraque   Segundo Putin, "a Rússia, assim como outros países, adota medidas dirigidas a solucionar a crise nuclear iraniana por meios pacíficos, que são de interesse de toda a comunidade internacional e do povo iraniano". O presidente ainda lembrou a boa relação entre os dois países e as parceiras no petróleo, gás e energia atômica.   Putin assegurou que as informações sobre os supostos planos de um atentado contra sua vida em Teerã "não eram outra coisa que não uma tentativa de impedir a visita".   "Esta viagem foi planejada há muito tempo. Era necessário discutir muitos problemas ao mais alto nível", ressaltou Putin, que se reuniu na terça-feira com Ahmadinejad e participou da cúpula de países banhados pelo Mar Cáspio. Os serviços secretos russos informaram no domingo que grupos extremistas preparavam um atentado suicida contra o presidente durante sua visita ao Irã, cujos dirigentes qualificaram a notícia de "absolutamente sem fundamento".   O porta-voz do Ministério de Exteriores iraniano, Mohammad Ali Hosseini, vinculou esses "rumores" a uma suposta campanha de "pressão psicológica daqueles que são contrários a uma boa relação entre Irã e Rússia".   Em Teerã, Putin voltou a defender o direito de todos os países a desenvolverem um programa nuclear com fins pacíficos e criticou a política dos Estados Unidos no Oriente Médio e na Ásia Central. O presidente russo sustenta que não há provas que confirmem que o Irã esteja fabricando armas nucleares e bloqueou no Conselho de Segurança da ONU qualquer iniciativa para aprovar uma resolução que inclua o uso da força contra o país.   O secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Ali Larijani, afirmou na quarta-feira que o presidente russo entregou aos dirigentes da República Islâmica uma mensagem que continha novas propostas para a solução da crise nuclear.   A visita de Putin ao Irã foi a primeira de um líder russo ou soviético desde que Joseph Stalin participou, em 1943, da Conferência de Teerã, junto com o presidente dos Estados Unidos, Franklin Roosevelt, e o primeiro-ministro britânico, Winston Churchill.   Na entrevista anual desta quinta, mais de um milhão de russos se candidataram para fazer perguntas a Putin. Este é o sexto ano consecutivo da conferência, provavelmente a última do gênero antes de o presidente encerrar seu segundo mandato, no ano que vem. A Constituição o proíbe de buscar a reeleição novamente em março de 2008.

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