Mikhail Klimentyev/AP
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Putin demite ministro da Defesa após escândalo de corrupção

Presidente nomeou amigo pessoal para o cargo, um dos mais influentes na política russa

Reuters

06 de novembro de 2012 | 11h34

MOSCOU - O presidente da Rússia, Vladimir Putin, demitiu o ministro da Defesa, Anatoly Serdyukov, em um pronunciamento público na TV nesta terça-feira, 6. A decisão foi tomada em consequência de um escândalo de corrupção multimilionário envolvendo Serdyukov, que foi substituído por um aliado de longa data do presidente.

 

Putin anunciou na televisão que demitiu Serdyukov, que havia se tornado um problema para o governo devido a uma investigação sobre a venda de ativos do ministério por preços suspeitosamente baixos.

O ex-ministro de Emergências Sergei Shoigu, substituto de Serdyukov em um cargo o qual rivais estavam de olho há muito tempo, é bastante popular entre os russos. Shoigu também provou ser imensamente leal a Putin e mostrou poucos sinais de ambições políticas em quase duas décadas em postos de chefia.

O anúncio de Putin feito durante uma reunião com Shoigu parecia ter o objetivo de mostrar que ele irá reprimir a corrupção em seu novo mandato presidencial de seis anos.

"Levando em consideração a situação em torno do Ministério da Defesa, a fim de criar condições para uma investigação objetiva sobre todos os assuntos, eu decidi liberar o ministro da Defesa Serdyukov de seu posto", disse Putin, sentado à mesa com Shoigu em uma residência fora de Moscou.

O ministro da Defesa exerce imenso poder na Rússia, administrando bilhões de dólares todos os anos através da poderosa indústria de defesa do país, o segundo maior exportador de armas do mundo. Putin prometeu gastar 23 trilhões de rublos (US$ 726,30 bilhões) com o Exército até o final da década. Putin disse na reunião televisionada que o novo ministro tem que continuar "planos grandiosos para a reforma do Exército".

Investigadores russos fizeram uma busca nos escritórios da empresa Oboronservis, subordinada ao Ministério da Defesa, e abriram uma investigação sobre a companhia, no mês passado, com a suspeita de que o então ministro havia vendido ativos para empresas comerciais com um prejuízo de quase US$ 100 milhões.

A investigação também levantou questões sobre o relacionamento de Serdyukov com uma ex-militar do alto escalão, em cujo apartamento foram encontradas dezenas de pinturas caras, antiguidades raras e mais de 100 anéis valiosos.

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