Putin diz estar pronto para voltar a ser presidente da Rússia

Vladimir Putin declarou neste sábado estar pronto para voltar à presidência da Rússia depois que o atual mandatário, Dmitry Medvedev, anunciou que cederia espaço a seu mentor na eleição de março.

GLEB BRYANSKI E TIMOTHY HERITAGE, REUTERS

24 Setembro 2011 | 11h42

Pondo fim a meses de especulação sobre qual dos dois será presidente, Medvedev sugeriu Putin, atual primeiro-ministro, em um congresso do partido governista Rússia Unida. Putin, visto por muitos como a força propulsora do país nos últimos 11 anos, convidou Medvedev a assumir sua vaga como premiê.

"É uma grande honra para mim", afirmou Putin sob aplausos e vivas de milhares de partidários reunidos em um estádio de Moscou. "Obrigado, espero contar com seu apoio."

As pesquisas de opinião mostram que Putin deve ser eleito para o mandato de seis anos na eleição presidencial de março, dando início ao que críticos dizem poder ser uma era de estagnação no maior país do mundo.

Seu partido também espera manter a maioria de dois terços na Duma, a câmara baixa do parlamento, na eleição parlamentar de 4 de dezembro, tendo Medvedev como candidato principal de sua lista.

Putin, 58 anos, é considerado mais conservador que Medvedev, e alguns economistas disseram que sua volta ao Kremlin pode trazer à baila um período de estagnação econômica no maior produtor mundial de energia.

Outros têm dito que, embora Medvedev, 46 anos, seja com frequência retratado como mais liberal, há mais diferença em seus estilos do que em suas políticas.

Putin foi presidente entre 2000 e 2008, e conduziu Medvedev ao Kremlin em 2008 por estar impossibilitado pela constituição a concorrer a um terceiro mandato consecutivo.

Medvedev concordou, no congresso do Rússia Unida, em encabeçar a lista de candidatos no pleito parlamentar, e Putin então o convidou a assumir o governo.

O próximo governo deve se deparar com muitos desafios econômicos e clamores por reformas econômicas e políticas mais duras, que críticos dizem poder provocar turbulências.

Também enfrentará relações difíceis com os Estados Unidos, apesar do 'reinício' dos laços, além de incertezas na política exterior na esteira dos levantes no mundo árabe.

"Medvedev está deixando a presidência, mas continua no cenário como um primeiro-ministro reformista para implementar reformas modernizantes impopulares e dolorosas," disse Vladimir Frolov, presidente do grupo LEFF, empresa de relações públicas do governo.

Andrei Piontkovsky, analista político da Academia Russa de Ciências, afirmou: "O perigo é que (a decisão) prive o estabelecimento de quaisquer ilusões de liberalização e modernização".

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