Putin diz manter influência em 2008 e promete voltar ao cargo

Presidente deu declarações após nomear político fraco como premiê e classificá-lo como presidenciável

Agências internacionais,

14 de setembro de 2007 | 14h20

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, disse nesta sexta-feira, 14, que não descarta retornar à presidência depois que o próximo líder russo, que será eleito no ano que vem, deixe o poder, em 2012. A informação foi passada à agência Reuters por um analista americano que se reuniu com o líder russo.  Veja TambémParlamento confirma Viktor Zubkov como premiêNovo premiê deve disputar a presidência "Ele não descarta tentar retornar à presidência", disse Ariel Cohen, que é pesquisador da Fundação Heritage, com base em Washington. O americano deu a declaração por telefone, a partir da cidade russa de Sochi. Segundo Cohen, o presidente não deu sinais de que pretenda trabalhar para que seu sucessor seja um político com pouca força política. "(Ele) não deu indícios de que quer enfraquecer o próximo presidente de forma a garantir seu retorno", disse o analista. Ainda de acordo com Cohen, o presidente não pretende desaparecer da política durante a próxima presidência. "(Putin) disse também que continuará a influir na vida política da Rússia. Ele não pretende desaparecer na neblina." Cinco presidenciáveis As declarações de Putin sobre seu futuro político acontecem no mesmo dia em que o presidente russo afirmou que o novo primeiro-ministro, Viktor Zubkov, está entre seus cinco possíveis sucessores.  Político fiel à Putin, o ex-secretário responsável pelo combate à lavagem de dinheiro da atual administração era até então uma figura desconhecida na Rússia. A decisão do presidente em indicá-lo ao cargo surpreendeu analistas e a elite política do país.  O pronunciamento de Putin abre caminho para a candidatura de Zubkov, mas não significa que o novo premiê seja o favorita na lista de apoiáveis do presidente.  "Agora as pessoas estão falando em no mínimo cinco pessoas que podem aspirar com realismo" ao cargo, disse Putin a uma emissora de TV, falando de sua residência na cidade de Sochi. "Se mais de um candidato com condições aparecer, significa que os cidadãos russos poderão escolher entre várias pessoas." Intriga política A nomeação de Zubkov na quarta-feira espalhou desconfiança entre a elite política russa, faltando meses para as eleições presidenciais.  Isso porque, ao descartar a nomeação do Ministro da Defesa russo, Serguei Ivanov - que para a maioria dos analistas seria o candidato natural para o cargo e, conseqüentemente, o escolhido de Putin para a sucessão -, o presidente parece querer mostrar ao país, e em especial ao Kremlin, que é ele quem continua dando as cartas.  Na prática, a decisão de Putin embolou a corrida pela sucessão presidencial.  "Como sempre, o presidente russo escolheu a opção que dá a elea maior margem de manobra possível", disse o analista do Centro para Tecnologias Políticas Alexei Makarkin. Zubkov completa 66 anos no sábado, e é muito mais velho do que Ivanov e outro forte candidato à sucessão, o primeiro vice-premiê, Dmitry Medvedev. Para muitos analistas, uma eventual presidência do novo premiê funcionaria como uma período "interino" entre a saída de Putin em 2008 e seu retorno em 2012.  Neste papel, Zubkov "não imporia sua vontade sobre o time de Putin, que continuaria no poder. E nesta idade, é mais porvável que ele entregue o poder no momento em que for solicitado", avalia o analista Mark Urnov. 

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