Putin diz que mundo enfrenta nova corrida armamentista

Presidente russo critica sistema antimísseis americano no Leste Europeu e afirma que responderá a ameaças

Reuters e Associated Press,

08 de fevereiro de 2008 | 09h23

O presidente russo, Vladimir Putin, afirmou nesta sexta-feira, 8, que a Rússia não permitirá ser levada ao que ele chamou de uma nova corrida armamentista global. O chefe de governo russo ainda criticou os Estados Unidos e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) por falharem em uma resposta para a preocupações de Moscou com segurança, já que Washington insiste em seus planos para instalar um sistema antimísseis no Leste Europeu, considerado uma ameaça para o Kremlin.  "Está claro que uma nova corrida armamentista está sendo lançada no mundo". "Não devemos permitir que o país seja atraído para isso", disse o presidente russo, em uma clara referência ao escudo antimísseis e sobre as novas bases militares americanas na Romênia e na Bulgária. "Não há uma resposta construtiva para nessas preocupações fundamentadas", acrescentou. Putin acusou Washington de ameaçar a Rússia com seus novos planos militares, argumentando que as negociações com Moscou foram "meramente uma cobertura informativa e diplomática para a implementação de seus planos". O Kremlin afirma que a proposta americana de instalar dez mísseis interceptores na Polônia e um radar na República Tcheca ameaçam a segurança da Rússia. O governo americano afirma que as instalações são necessárias para a defesa de um possível ataque iraniano. Os Estados Unidos querem construir um sistema que vai permitir a interceptação de mísseis balísticos. Este sistema envolve radares estacionários no Alasca e na Califórnia, nos Estados Unidos e no Reino Unido. Outro radar está planejado para a Groenlândia. Mísseis antimísseis, ou interceptadores, estão sendo colocados no Alasca (40 deles) e Califórnia (quatro) e o plano é colocar dez deles na Polônia com um radar associado na República Checa. O sistema também prevê a instalação, em navios, de 130 mísseis interceptadores. Os interceptadores funcionam acertando fisicamente o míssil balístico. O presidente disse ainda que o país responderá contra novas ameaças com a modernização de seu aparato militar e desenvolvendo novas armas. "Estamos sendo forçados a tomar passos retaliatórios", ele afirmou. "A Rússia sempre responderá aos novos desafios". Segundo a BBC, os russos alegam que os planos atuais podem parecer modestos e pouco ameaçadores - mas temem que eles pudessem ser o início de um projeto mais ambicioso. Eles afirmam que o plano para desenvolver o sistema no Leste Europeu ameaça seus próprios mísseis e coloca em cheque a doutrina de distensão que vem marcando as relações entre EUA e Rússia desde o fim da União Soviética e da chamada Guerra Fria.  Otan Em seus oito anos de governo, Putin elevou os gastos militares e aprovou exercícios bélicos em grande escala, além de criticar as operações - ameaçadoras, segundo ele - da Otan junto às suas fronteiras, assim como o plano dos EUA para instalar um escudo antimísseis na Europa Oriental. "Não é nossa culpa, não começamos isso, a canalizar muitos bilhões de dólares para o desenvolvimento de sistemas de armas. A própria Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) está se expandindo, aproximando-se das nossas fronteiras", disse. "Retiramos nossas bases de Cuba e do Vietnã", continuou ele. "O que recebemos em troca? Novas bases norte-americanas na Romênia, na Bulgária; uma nova terceira região de defesa contra mísseis, na Polônia, onde está sendo construída."  Os laços entre a Otan e a Rússia foram afetados pelas preocupações com o escudo norte-americano, pela retirada russa de um importante tratado sobre armas e por discordâncias a respeito do futuro de Kosovo. 

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