Putin diz que rivais planejam baixaria eleitoral na Rússia

O primeiro-ministro da Rússia, Vladimir Putin, disse que seus inimigos planejam fraudes e até homicídios para macular a eleição presidencial de domingo, na qual ele tem amplo favoritismo.

GLEB BRYANSKI, REUTERS

29 de fevereiro de 2012 | 17h49

Assessores de Putin esperam que uma vitória significativa esvaziará os protestos dos últimos meses, nos quais Putin é acusado de autoritarismo e corrupção.

Falando a funcionários de sua campanha em Moscou, Putin disse que seus adversários tentarão invalidar o pleito, e sugeriu que inimigos do exterior não identificados cometerão atentados contra figuras da oposição para gerar turbulências na Rússia.

"Certos mecanismos serão usados para mostrar que a eleição foi falsificada", disse Putin, que domina a política russa há 12 anos, primeiro como presidente, depois como primeiro-ministro.

"Desculpe pela frase, mas eles vão ferrar alguém e aí vão colocar a culpa nas autoridades. Esse tipo de gente está preparada para fazer qualquer coisa. Não estou exagerando", acrescentou.

O premiê, que nesta semana minimizou um suposto complô para matá-lo, não citou provas das suas acusações, mas estava claramente tentando implicar empresários ricos que fugiram da Rússia durante sua passagem pela presidência (2000-2008), principalmente para a Grã-Bretanha ou Israel.

As pesquisas mostram que Putin deve conquistar um mandato presidencial de seis anos no domingo, mas também indicam uma crescente insatisfação com seu domínio político.

Desde o início da onda de protestos, motivada por suspeitas de fraude na eleição parlamentar de dezembro, Putin tem misturado promessas de reforma política, piadas grosseiras e agressões verbais contra os Estados Unidos, no estilo da Guerra Fria.

Por outro lado, ele é alvo diário de sátiras na Internet, onde circulam centenas de caricaturas, vídeos e piadas retratando-o como um autoritário ultrapassado.

"A campanha foi tempestuosa, mas espero que não haja mais sujeira. Realmente espero. Ela está chegando ao fim, graças a Deus", disse o governante, de 59 anos.

Os líderes dos protestos, um difuso conjunto de políticos, ativistas, jornalistas e blogueiros, dizem que Putin ainda não atendeu nenhuma das suas exigências, como uma repetição da eleição parlamentar de 4 de dezembro e a demissão do chefe da comissão eleitoral.

Há manifestações programadas para a próxima segunda-feira, e seus organizadores dizem que a eleição presidencial não poderá ser legitimada porque Putin não permitiu uma disputa em pé de igualdade com os candidatos da oposição.

Nesta quarta-feira, a polícia impediu um grupo ligado ao blogueiro Alexei Navalny de distribuir barracas para que ativistas acampem no centro de Moscou.

"Os manifestantes apresentaram exigências claras e concretas. Nenhuma delas foi atendida", disse Navalny ao canal de TV Dozhd na terça-feira. "Um dia as pessoas devem sair às ruas e ficar até que suas exigências sejam atendidas. Para isso existem as barracas."

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