Putin é ratificado premiê russo com maioria arrasadora

Agora como primeiro-ministro, ex-presidente promete conter a inflação e cortar impostos

REUTERS

08 de maio de 2008 | 07h46

A Câmara Baixa do parlamento russo confirmou nesta quinta-feira, 8, que o ex-presidente Vladimir Putin será primeiro-ministro do país. A aprovação é meramente simbólica, já que a Rússia Unida, partido de Putin, controla mais de dois terços do parlamento.   Veja também: Medvedev toma posse e nomeia Putin  A sucessão no Kremlin foi cuidadosamente coreografada - em dezembro Putin escolheu seu sucessor, Dmitri Medvedev, eleito presidente mais tarde, e disse que continuaria na política como primeiro-ministro. Depois de oito anos como presidente, Putin prometeu conter a crescente inflação na Rússia e cortar os impostos no setor de petróleo. Durante o discurso de apresentação da candidatura no parlamento, Putin disse que sua administração quer "uma inflação de um só dígito dentro de alguns anos", como parte de um plano para fazer da Rússia um país líder na economia até 2020. "Antes de mais nada, precisamos de uma situação macroeconômica robusta", disse Putin. "Sendo assim, vamos prestar a maior atenção a todos os aspectos da política financeira - primeiramente para as medidas direcionadas à redução da inflação". Os investidores disseram que a inflação é o maior problema econômico da Rússia. A alta nos preços estava em 14,3% em abril, na base anual. Há temores de revolta dos trabalhadores. A Rússia está no décimo ano de crescimento rápido e Putin disse que, neste ano, iria tirar o Reino Unido do sexto lugar entre as maiores economias do mundo em poder aquisitivo. O novo premiê, que passou a Presidência para Dmitry Medvedev na quarta-feira, disse que é necessário um aumento nos gastos com saúde, educação e infra-estrutura, para assegurar que o país seja um líder. Putin pediu menores impostos para a indústria petrolífera, que reclama que os tributos excessivos estão diminuindo a sua capacidade de aumentar a produção, mas não dá detalhes. Ele pediu a suspensão de impostos para o mercado de segurança. "Aliviar o peso dos impostos será um estímulo significativo para o clima dos negócios no país", disse.   Manobras Apesar de prometer que não prejudicará o equilíbrio de poderes, nas últimas semanas Putin dedicou-se a ampliar sutilmente as atribuições do primeiro-ministro. De acordo com a Constituição russa, o presidente é o responsável pela política externa e doméstica, pelo comando das Forças Armadas e pela escolha do Conselho de Segurança - que estabelece as políticas de defesa e segurança. Ao primeiro-ministro cabem as medidas administrativas, como implementação das políticas domésticas. Putin, no entanto, foi eleito em abril presidente do partido Rússia Unida, que controla o Parlamento russo. Com maioria de dois terços na Duma, o Rússia Unida tem poder para reformar a Constituição e destituir o presidente.   (Com Agências internacionais)

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