Putin espera 'mudanças positivas' com EUA no governo Obama

Ex-presidente e primeiro-ministro afirma que o país vai superar a crise econômica com perdas mínimas

Agências internacionais,

04 de dezembro de 2008 | 09h02

O ex-presidente e primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, afirmou nesta quinta-feira, 4, esperar por mudanças positivas nas relações do país com os Estados Unidos quando o presidente eleito Barack Obama assumir o cargo, em janeiro. Putin reiterou ainda que a Rússia vai superar a crise financeira com "perdas mínimas" e prognosticou um crescimento de cerca de 7% para e economia do país.   Desde 2000, quando era presidente, Putin respondia ao vivo a perguntas dos russos, mas esta será a primeira vez que fez isso como primeiro-ministro, no lugar do atual líder, Dmitri Medvedev. Neste ano, as questões giraram em torno do crescimento da inflação e do desemprego. Putin voltou a culpar os EUA por "infectar" as economias do mundo com a crise. "Temos boas chances de passar por esse período difícil com perdas mínimas para a economia e as pessoas", afirmou durante o discurso de introdução da sessão de perguntas transmitidas no rádio e na televisão.   "Esperamos que essas mudanças sejam positivas. Estamos vendo sinais positivos", disse Putin durante uma sessão televisionada de perguntas e respostas com o público. Putin assinalou que "normalmente" quando há uma mudança de governo, "sempre" acontecem mudanças, ainda mais "quando se trata de uma superpotência como os EUA".   O ex-presidente destacou o fato de a Organização Tratado do Atlântico Norte (Otan) retomar os contatos com Moscou e, ao mesmo tempo, não conceder à Geórgia e à Ucrânia o Plano de Ação para a Adesão (MAP), considerado a ante-sala de entrada na entidade. Os chanceleres dos países da Aliança Atlântica concordaram em retomar o diálogo com a Rússia, que foi congelado após a guerra o país e a Geórgia em agosto deste ano. Porém, eles criticaram a política de Moscou e insistiram que a retomada das conversações não significa uma volta à atmosfera de cooperação que existia antes no Conselho Otan-Rússia.   "Já temos ouvido analistas próximos ao presidente eleito (Obama) dizerem a ele e a seus assessores que não é necessário se precipitar nem se deve estragar as relações com a Rússia", disse. E acrescentou: "Escutamos que é necessário revisar a utilidade do escudo antimísseis americano na Polônia e na República Tcheca", que Moscou considera uma ameaça direta para sua segurança. A Rússia se opõe de maneira veemente à instalação e ameaça responder com a instalação de mísseis de curto alcance em Kaliningrado, um enclave russo às margens do Mar Báltico e na fronteira com a Polônia. Os EUA insistem na instalação do escudo antimísseis, segundo Washington, necessário para repelir um possível ataque do Irã. Segundo os EUA, o escudo não ameaça o arsenal balístico nuclear russo.   Putin, que assumiu o cargo de primeiro-ministro em maio, disse: "Se isto se aplicar na prática, nossa reação será adequada e nossos parceiros americanos notarão".   Crise econômica   A primeira pergunta feira para Putin foi de um homem que perdeu seu emprego e questionou como poderia sobreviver. O premiê afirmou estar confiante de que a economia mundial deve melhorar e que o auxilio desemprego está sendo aumentado.   "A Rússia tem todas as possibilidades de superar este período difícil com perdas mínimas. Temos reservas suficientes para isso", afirmou Putin, assegurando que o PIB do país crescerá entre 6,8 e 6,9%, a produção industrial quase 5%, enquanto a agricultura deve marcar resultados históricos. "Apesar da influência negativa da crise financeira mundial, os resultados para esse ano são bons: planejávamos crescer 7,5% e o crescimento será de 7%".   Com a especulação sobre a possibilidade de Putin voltar a ocupar a Presidência do país, analistas questionam se Putin conseguiria manter sua popularidade neste momento de crise depois que os eleitores confiaram nele durante os últimos dez anos de boom econômico no país. No total, o canal de televisão estatal Rossiya, organizador do projeto, recebeu quase 2,5 milhões de perguntas, para Putin responder cerca de 100 por mais de duas horas.

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