Putin implementa nova lei de traição na Rússia

A Rússia introduziu nesta quarta-feira uma nova lei ampliando a definição de traição, alarmando os opositores que dizem que Vladimir Putin vai usá-la para silenciar seus críticos e qualquer um em contato com estrangeiros estará sob risco.

NASTASSIA ASTRASHEUSKAYA E STEVE GUTTERMAN, Reuters

14 de novembro de 2012 | 15h18

A legislação permite que russos representando organizações internacionais sejam acusados de traição, assim como os que trabalham para países e organismos estrangeiros, e amplia a gama de ações que podem ser consideradas como traição.

Putin sancionou a lei na terça-feira e ela entrou em vigor na quarta, quando foi publicada no diário oficial, chamado Rossiyskaya Gazeta, apesar da promessa feita pelo presidente na segunda-feira de que revisaria a legislação.

Opositores políticos e ativistas de direitos humanos afirmam que a legislação é o último caso de uma série de leis destinadas a reprimir a oposição e reduzir a influência estrangeira desde que ele voltou ao Kremlin em maio para um mandato de seis anos.

"Trata-se de uma tentativa de voltar não apenas à época soviética, mas à era de Stalin, quando qualquer conversação com um estrangeiro era vista como uma ameaça em potencial ao Estado", disse Lyudmila Alexeyeva, de 85 anos, ex-dissidente soviética e veterana ativista de direitos humanos.

Ela afirmou que isso provavelmente será usado de forma seletiva contra críticos ao Kremlin e a outros "que irritarem as autoridades".

O analista politico Dmitry Oreshkin, simpático aos protestos anti-Putin deste ano, disse que a motivação por trás da lei é "o Estado é mais importante do que seus cidadãos, então é preciso haver o máximo de controle possível sobre os cidadãos".

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