Putin nega que Rússia tenha ambições imperialistas

Primeiro-ministro e ex-presidente defende invasão da Geórgia e nega pretensão de anexar regiões separatistas

Agências internacionais,

11 de setembro de 2008 | 10h54

O líder da província separatista georgiana da Ossétia do Sul, Eduard Kokoiti, reiterou nesta quinta-feira, 11, que a região, cuja independência foi reconhecida por Moscou, tem intenção de se unir à vizinha república russa da Ossétia do Norte e fazer parte da Federação Russa. Entretanto, O presidente da separatista Abkházia, Serguei Bagapsh, afirmou que a província - cuja soberania também foi reconhecida pelo Kremlin - não tem intenção de fazer parte da Rússia e que Moscou não guarda ambições desse tipo.   "Passaremos a fazer parte da Federação Russa e não temos intenção de criar uma Ossétia independente", disse o líder da Ossétia durante um encontro com os participantes do clube internacional de debate Valdai, segundo a agência oficial russa RIA Novosti. Além disso, Kokoiti disse que cientistas políticos ocidentais garantiram o reconhecimento da independência da Ossétia do Sul só se a vizinha Ossétia do Norte se separasse da Rússia.   Por outro lado, o líder da Ossétia não quis responder a um jornalista estrangeiro que perguntou a ele quanto tempo poderia se prolongar a independência da Ossétia do Sul e declarou que o mais importante para ambas as regiões é restabelecer a legitimidade histórica. "É uma questão mais humanitária do que política", disse Kokoiti, e acrescentou que a unificação da Ossétia do Sul e do Norte é a única possibilidade de se manter como grupo étnico. "Ficaria muito contente se fizéssemos parte da Rússia", concluiu.   O presidente da separatista Abkházia, Serguei Bagapsh, afirmou que a província - cuja soberania também foi reconhecida pelo Kremlin - não tem intenção de fazer parte da Rússia e que Moscou não guarda ambições desse tipo. "Esta questão hoje não existe. A Rússia não tem nenhum tipo de ambição nem intenção de anexar nada", declarou Bagapsh. O povo da Abkházia expressou sua vontade em um plebiscito, no qual votou a favor da independência, acrescentou o presidente abkhaze.   Ao mesmo tempo, Bagapsh ressaltou que a Abkházia continuará mantendo relações de amizade com a Rússia e continuará levando em conta as opiniões e conselhos do país. "Agora criaremos um Estado independente e estabeleceremos as melhores relações possíveis com a Rússia, que é nossa parceira mais firme e que nos ajudou nas horas difíceis", acrescentou.   Bagapsh destacou que agora o importante para a Abkházia é que a comunidade internacional avalie de forma correta e compreenda tudo o que aconteceu. Ao ser perguntado se seria mais fácil viver sendo parte da Rússia, o presidente abkhaze respondeu que, no mundo, existem poucos Estados absolutamente independentes e que até grandes potências como a Rússia e a China estão vinculadas economicamente. "Não tivemos medo, nós mesmos escolhemos este caminho (da independência). O mais importante para nós é continuar existindo como nação", disse.   A Abkházia e a Ossétia do Sul romperam com a Geórgia em meio à dissolução da União Soviética e declararam independência de Tbilisi no início da década passada. Em agosto último, Rússia e Geórgia travaram uma breve guerra depois de forças georgianas terem lançado uma ofensiva militar contra a Ossétia do Sul. A Rússia mantinha forças de manutenção de paz nas duas regiões separatistas antes da ofensiva militar georgiana.   A Rússia afirmou na terça-feira que manterá tropas dentro de duas regiões separatistas da Geórgia por um longo período e, na avaliação de Sergei Lavrov, ministro russo de Relações Exteriores, a presença delas nessas áreas não é afetada pelo acordo no qual a Rússia concordou em se retirar do país vizinho. Além disso, o ministro da Defesa Anatoly Serdyukov disse que o Exército planeja instalar 7.600 homens nas bases das Ossétia do Sul e da Abkházia, regiões com aspirações pró-Moscou.

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