Putin promete aproximação com EUA e pede garantias sobre mísseis

Moscou buscará relações mais estreitas com os Estados Unidos, mas não irá tolerar interferências em seus assuntos internos, e deseja garantias de que o escudo antimísseis dos EUA não será usado contra a Rússia, conforme um decreto firmado na segunda-feira pelo presidente Vladimir Putin.

STEVE GUTTERMAN, REUTERS

07 Maio 2012 | 16h45

O abrangente documento, assinado horas depois da posse de Putin para um mandato de seis anos, estabelece suas prioridades na política externa, pouco diferindo de um artigo que ele escreveu sobre o assunto durante a campanha eleitoral.

Moscou quer levar a cooperação com Washington para um "nível realmente estratégico", desde que as relações se baseiem na "igualdade, não-interferência nos assuntos internos, e respeito pelos interesses mútuos", segundo o decreto.

A Rússia, diz o texto, "se erguerá consistentemente por sua política com relação à criação pelos Estados Unidos de um sistema global de defesa antimísseis, buscando firmes garantias de que ele não será direcionado contra as forças nucleares dissuasivas da Rússia.

O decreto aborda a política russa para o mundo todo, mas serviu de mensagem para os Estados Unidos antes da reunião de Putin com o presidente dos EUA, Barack Obama, durante a cúpula do G8 no mês que vem.

Putin volta à Presidência, que ocupou de 2000 a 2008, após um hiato em que o cargo esteve ocupado por seu afilhado político Dmitry Medvedev. As relações entre EUA e Rússia melhoraram significativamente no mandato de Medvedev, que assinou em 2010 com Obama um histórico pacto de limitação de arsenais nucleares.

Mas houve atritos com os EUA e a Otan por causa da instalação do escudo antimísseis na Europa. Washington diz que o escudo, a ser concluído em quatro fases até cerca de 2020, serve para conter uma potencial ameaça do Irã. Já a Rússia diz que o sistema pode se tornar capaz, a partir de por volta de 2018, de interceptar os mísseis balísticos intercontinentais russos.

O chefe do Estado-Maior russo disse na quinta-feira que seu país está preparado para realizar ataques preventivos contra instalações antimísseis na Europa, caso julgue isso necessário para se proteger.

Outras áreas de atrito recentes entre EUA e Rússia incluem a intervenção militar da Otan na Líbia em 2011, a reação ao regime sírio em meio à atual rebelião, e críticas de Washington sobre o tratamento dispensado pelo governo russo a seus adversários.

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