Putin promete Rússia forte no cenário mundial

O presidente Vladimir Putin fez nesta quarta-feira um discurso patriótico ao lado de generais na Praça Vermelha, glorificando a vitória soviética sobre a Alemanha na 2a Guerra Mundial e prometendo intensificar a presença russa no cenário mundial.

TIMOTHY HERITAGE E ALISSA DE CARBONNEL, REUTERS

09 Maio 2012 | 10h00

Dois dias depois de tomar posse para um mandato presidencial de seis anos, Putin usou seu pronunciamento a soldados e veteranos de guerra, durante o desfile militar anual na praça mais simbólica de Moscou, para reforçar seus apelos por unidade nacional -- que ficou abalada depois dos protestos iniciados em 2011 contra a hegemonia política de Putin.

"A Rússia consistentemente se ergue determinadamente por nossas posições, porque nosso país sofreu o golpe do nazismo", disse Putin sob as muralhas vermelhas do Kremlin, ao lado de generais cobertos de condecorações.

"Os bárbaros estavam tramando para destruir nações inteiras. O inevitável aconteceu -- a responsabilidade e a resolução comum prevaleceram sobre o mal", acrescentou.

Putin, de 59 anos, costuma usar uma retórica agressiva em questões de política externa para atrair o apoio dos russos. Ele recorreu a declarações antiamericanas antes da eleição presidencial de 4 de março, numa tática que também era usada por líderes soviéticos, especialmente em feriados nacionais como o Dia da Vitória na Europa.

Durante a campanha eleitoral, Putin acusou a secretária norte-americana de Estado, Hillary Clinton, de estimular protestos contra os seus 12 anos de domínio político no país.

Ao tomar posse nesta semana, porém, Putin disse que pretende melhorar as relações com os EUA, principal inimigo da Rússia na época da Guerra Fria. Ele deixou claro, no entanto, que não aceitará interferências em assuntos domésticos, e que a relação com Washington deve acontecer em pé de igualdade.

No palanque da praça Vermelha estava também o ex-presidente Dmitry Medvedev, afilhado político de Putin, que na véspera teve seu nome aprovado pelo Parlamento para assumir o cargo de primeiro-ministro. Na prática, houve uma troca de lugar com Putin, que passou os últimos anos como premiê, depois de cumprir dois mandatos presidenciais (2000-2008).

Esse continuísmo irritou muitos russos, que se sentem alijados do processo político. Mais de 400 pessoas foram detidas após um protesto no domingo, inclusive os líderes de oposição Sergei Udaltsov e Alexei Navalny, que continuavam detidos na quarta-feira.

Udaltsov informou, por intermédio de um advogado, que iniciou uma greve de fome na prisão.

Mais conteúdo sobre:
RUSSIA PUTIN FORTE*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.