Putin promete vingar atentado em aeroporto que deixou 35 mortos

O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, prometeu na terça-feira vingança pelo atentado suicida que matou pelo menos 35 pessoas na véspera no aeroporto mais movimentado do país, e expôs a dificuldade do Kremlin em conter uma onda de ataques.

THOMAS GROVE E STEVE GUTTERMAN, REUTERS

25 de janeiro de 2011 | 17h54

Com dureza, os líderes russos exigiram que os serviços de segurança identifiquem os autores do ataque, que tem características dos militantes que lutam pela implantação de um Estado islâmico no sul da Rússia.

"Esse foi um crime abominável por sua insensatez e crueldade," disse Putin numa reunião com ministros em Moscou.

"Não duvido de que esse crime será resolvido, e que a retribuição é inevitável."

O presidente Dmitry Medvedev fez críticas às autoridades policiais e aeroportuárias por causa do atentado, que matou oito estrangeiros e afetou a imagem da Rússia na semana em que o presidente irá ao Fórum Econômico Mundial, em Davos (Suíça), para promover seu país como destino para investidores.

"Tudo precisa ser feito para encontrar, expor e trazer à Justiça os bandidos que cometeram esse crime --e os ninhos desses bandidos, não importa quão profundamente eles os tenham escavado, devem ser liquidados," disse Medvedev a chefes do Serviço Federal de Segurança.

Por causa do atentado, Medvedev adiou o embarque para Davos, onde faria um discurso na abertura do evento. A ministra da Saúde, Tatyana Golikova, disse que 49 pessoas continuam internadas em estado grave.

O Conselho de Segurança da ONU fez na terça-feira um minuto de silêncio pelas vítimas. O presidente dos EUA, Barack Obama, conversou por telefone com Medvedev, condenando o "ultrajante ataque contra civis inocentes" e prometendo cooperar com a Rússia contra o terrorismo.

ÉPOCA ELEITORAL

Ninguém assumiu de imediato a autoria do ataque, mas ele tem as características dos militantes islâmicos que atuam no extremo sul da Rússia. "É obviamente um ato terrorista que foi planejado com bastante antecedência a fim de causar as mortes do máximo de pessoas possível," afirmou Medvedev.

Rebeldes do Cáucaso já ameaçaram cometer ataques contra cidades e alvos econômicos até a eleição parlamentar de dezembro de 2011 e presidencial de 2012, em que o influente Putin deve tentar voltar ao Kremlin, ou então apoiará seu protegido Medvedev.

Tanto Putin quanto Medvedev fizeram visitas, mostradas pela TV, a vítimas hospitalizadas do atentado.

Medvedev disse que a direção do aeroporto deve responder pelo ataque, e lembrou que a segurança já havia sido reforçada depois da explosão de dois aviões que decolaram do mesmo local, em 2004, deixando 90 mortos. "Está claro que há uma falha sistêmica na proteção de segurança às pessoas" no aeroporto, afirmou ele.

O presidente também determinou que o FSB garanta a segurança adequada para futuros eventos internacionais, como a Olimpíada de Inverno de 2014, em Sochi, cidade próxima ao Cáucaso.

Ele ordenou ao Ministério do Interior que aponte funcionários de segurança dos transportes a serem demitidos, e sugeriu que autoridades negligentes poderão ser processadas. Cobrou também um sistema de "checagem total" de pessoas e bagagens em aeroportos.

A escolha da área de desembarque internacional como alvo indica que os autores do atentado queriam chamar a atenção fora da Rússia.

Um investigador citado pela agência de notícias Itar-Tass disse que o homem-bomba aparentemente era um homem robusto, de 30 a 40 anos. Outros relatos apontam para uma mulher-bomba, ou para vários autores.

Uma lista de mortos divulgada pelo Ministério das Emergências inclui oito estrangeiros, oriundos de Grã-Bretanha (dois), Alemanha, Bulgária, Quirguistão, Tadjiquistão, Uzbequistão e Ucrânia. Colegas disseram que a ucraniana era a dramaturga Anna Yablonskaya, 29 anos, que viajava a Moscou para receber um prêmio.

(Reportagem adicional de Darya Korsunskaya, Alexei Anishchuk, Tom Grove, Amie Ferris-Rotman, Alissa de Carbonnel e Lidia Kelly)

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