Putin quer reforçar comércio com UE e evita falar da Síria

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, pressionou nesta segunda-feira a União Europeia a acelerar a eliminação da exigência de vistos para cidadãos russos e disse que a UE terá de lidar com uma aliança econômica entre as ex-repúblicas soviéticas.

DENIS DYOMKIN, REUTERS

04 de junho de 2012 | 19h58

Na sua primeira cúpula com líderes da UE desde que reassumiu a Presidência, no mês passado, Putin evitou citar publicamente a questão da Síria e alertou que não irá tolerar críticas ocidentais sobre direitos humanos ou liberdades democráticas.

Depois de enfrentar os piores protestos em 12 anos de domínio político sobre o país, Putin manifestou apoio a um projeto de lei que dificulta a realização de manifestações, aumentando a multa imposta aos violadores.

Ele também defendeu a prisão do ex-magnata petroleiro Mikhail Khodorkovsky, vista por muitos com símbolo das perseguições de Putin a seus inimigos.

Diante de céticos líderes europeus, Putin se disse determinado a buscar uma aproximação da Rússia com a UE, maior parceira comercial do seu país, e defendeu empenho na discussão de um novo acordo entre os países.

"Temos uma boa oportunidade para definir metas estratégicas neste documento e estabelecer um plano de cooperação para o longo prazo", disse ele no requintado Palácio Constantine, nos arredores de São Petersburgo, sua cidade natal.

Ele alertou, porém, que a discussão deve ser "pragmática e profissional ... sem estereótipos ideológicos ou outros", o que foi visto como um recado velado para que a UE trate a Rússia em pé de igualdade, sem sermões a respeito de questões como os direitos humanos.

A cúpula foi ofuscada pela situação da Síria. Moscou tem usado seu poder de veto no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas para barrar qualquer tentativa ocidental de condenar o regime de Bashar al-Assad pela repressão a protestos pró-democracia nos últimos 15 meses.

Putin disse que a questão da Síria foi discutida com os líderes da UE, mas não fez comentários adicionais.

A Rússia e a UE têm uma profunda interdependência. Os europeus precisam do gás e do petróleo exportados pela Rússia, que por sua vez consome produtos da UE. Os dois lados, no entanto, têm atritos por causa de questões como exportações energéticas, acesso a mercados e direitos humanos.

Putin respondeu diretamente às críticas sobre a prisão de Khodorkovsky, outrora o homem mais rico do país, que foi preso em 2003 e cumpre pena até 2016 por crimes financeiros. Críticos do Kremlin dizem que o empresário foi punido por ter desafiado Putin.

"Aonde quer que eu vá, sempre há uma questão primária sendo colocada sobre o destino do senhor Khodorkovsky", disse Putin em entrevista coletiva ao lado dos presidentes do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, e da Comissão Europeia, José Manuel Barroso.

"A Corte Europeia de Direitos Humanos disse que o processo penal e a condenação contra Khodorkovsky não foram politicamente motivados", disse Putin, referindo-se a uma decisão de maio de 2011 desse tribunal.

(Reportagem adicional de Gleb Bryanski, em Tashkent; de Nastassia Astrasheuskaya e Alissa de Carbonel, em Moscou)

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