Alexey Nikolsky-Ria Novosti/Efe
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Putin rejeita proposta de refazer eleição parlamentar russa

Putin minimizou a atual onda de protestos, a maior em 12 anos de hegemonia política dele no país

REUTERS

15 de dezembro de 2011 | 09h05

MOSCOU - O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, rejeitou nesta quinta-feira, 15, as acusações de fraude em favor do seu partido, o Rússia Unida, na eleição parlamentar deste mês, e disse que o resultado reflete as opiniões da população.

Em um tradicional programa anual de TV em que ele responde a perguntas feitas por telefone, Putin minimizou a atual onda de protestos, a maior em 12 anos de hegemonia política dele no país, mas disse que as manifestações são toleráveis se forem pacíficas e dentro da lei.

Essas são as primeiras declarações públicas do premiê desde as enormes manifestações de sábado em todo o país. Ele sinalizou que não pretende ceder à proposta da oposição de repetir a votação, mas fez um aceno aos rivais ao propor a instalação de câmeras de vídeo nas seções eleitorais, para a votação presidencial de 4 de março - na qual Putin é favorito.

"Do meu ponto de vista, o resultado da eleição (de 4 de dezembro) indubitavelmente reflete a opinião pública no país", disse Putin, de 59 anos, que aproveitou o programa para burilar sua imagem de líder forte, eficaz e atencioso, com conhecimento detalhado sobre o país e interesse em cada um dos seus cidadãos.

Mas ele enfrenta uma inédita pressão por causa dos protestos pós-eleitorais, que atraíram dezenas de milhares de cidadãos. Monitores internacionais disseram que o pleito foi manipulado em favor do Rússia Unida.

O partido teve quase 50 por cento dos votos, mas viu sua bancada parlamentar ser reduzida de 315 para 238 deputados - o que ainda assim representa a maioria na Duma (Câmara dos Deputados).

A oposição diz que o resultado seria pior para o governo se não houvesse fraudes generalizadas, como a colocação de votos falsos nas urnas.

A popularidade de Putin já vinha em queda desde setembro, quando ele anunciou a intenção de se candidatar a presidente em 2012, trocando assim de cargo com o seu afilhado político Dmitry Medvedev, atual presidente. Muitos líderes viram nesse anúncio o sinal de que tudo foi acordado entre os dois políticos, sem respeito pela democracia.

Putin continua sendo favorito para se eleger presidente (cargo que já ocupou entre 2000 e 2008), mas ele agora enfrenta uma resistência muito maior do que a esperada, e a entrevista na TV foi uma oportunidade para que ele tentasse restabelecer sua legitimidade.

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