Putin vê relação melhor com EUA quando Obama assumir

Os Estados Unidos vão perceber rapidamente uma mudança na atitude de Moscou se o presidente eleito Barack Obama mudar as políticas de Washington em relação à Rússia, disse o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, nesta quinta-feira. "Normalmente... quando você tem uma mudança de poder em qualquer país, e ainda mais em uma superpotência como os Estados Unidos, algumas mudanças acontecem", disse Putin. "Esperamos muito que essas mudanças sejam positivas. Estamos vendo agora sinais positivos", afirmou o ex-presidente durante uma sessão anual de perguntas e respostas com cidadãos russos, transmitida pela televisão. Em contraste com a série de críticas no passado à política externa de Washington, Putin não fez alertas aos Estados Unidos e evitou sua dura retórica habitual. Em vez disso, Putin disse que percebeu um tom mais conciliatório de assessores do presidente eleito dos EUA, e viu a importância da decisão tomada esta semana pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) de não oferecer vagas a Geórgia e Ucrânia. "Ouvimos que era preciso construir relações com a Rússia, levando em conta os interesses dela. Se isso não for só palavras, se isso for transformado em uma política prática, então claro que nossa reação será adequada e nossos parceiros norte-americanos vão perceber isso logo", disse Putin. A postura de Putin contrasta com as críticas feitas por ele à abordagem de Washington quanto à guerra em agosto entre a Rússia e a Geórgia, aliada dos Estados Unidos. A guerra levou a relação entre Moscou e Washington ao pior momento desde o fim da Guerra Fria, e Putin acusou alguns membros do governo dos Estados Unidos de provocar a crise com o objetivo de ajudar os republicanos a ganhar a eleição presidencial, o que acabou não acontecendo com o triunfo de Obama. O tom positivo sobre Obama não mudou, no entanto, a oposição da Rússia sobre os planos dos Estados Unidos de instalar na Europa um escudo antimísseis. Putin disse esperar que o novo presidente cancele essa proposta. (Reportagem adicional de Maria Kisyelova e Dmitry Solovyov)

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