Queda de governo reduz poder checo na UE, diz premiê

Coalizão foi derrubada por moção do Parlamento; país está na presidência rotativa do bloco europeu

Efe,

24 de março de 2009 | 18h51

O governo de coalizão da República Checa, derrubado nesta terça-feira, 24, por uma moção de censura proposta pela oposição social democrata e apoiada pelos comunistas do Parlamento, perdeu "seu poder de negociação" nas reuniões da União Europeia (UE), admitiu o conservador Mirek Topolanek, primeiro-ministro do país. Apesar disso, a República Checa, como país à frente do bloco europeu no atual semestre, comandará a reunião do G20 convocada para 2 de abril, em Londres, e a cúpula de chefes de Estado e de governo entre UE e Estados Unidos, que acontecerá dias depois, em Praga.

 

Veja também:

linkUE diz que República Checa pode continuar à frente do bloco

 

Nesta terça, o Executivo checo não resistiu à quinta moção de censura proposta pelos parlamentares opositores, mas só por causa de quatro deputados da coalizão insatisfeitos com o governo: os conservadores Vlastimil Tlusty e Jan Schwippel, e as não alinhadas Vera Jakubkova e Olga Zubova, convidadas a deixar o Partido Verde (SZ).

 

Dos 197 parlamentares (de um total de 200) presentes na câmara baixa, 101 votaram contra o Executivo, exatamente o mínimo necessário estabelecido pela Constituição, anunciou o vice-presidente da casa, Miroslava Nemcova. Como só um dos deputados rebeldes (Schwippel) tinha antecipado seu voto à imprensa, comentaristas viram na decisão de Vera e Olga um acerto de contas com o ministro do Meio Ambiente e líder do SZ, Martin Bursik.

 

Pouco depois de tomar conhecimento do resultado da votação, Topolanek, que deve apresentar sua renúncia ao presidente Vaclav Klaus nas próximas horas, declarou: "Cumprirei meus deveres constitucionais". Por sua vez, o chefe de Estado confirmou que "terá sequência o caminho estabelecido pela Constituição", o que significa que, em breve, ele determinará a formação de um novo Executivo em substituição ao atual, que, enquanto isso, continuará governando.

 

O líder da oposição social democrata, Jiri Paroubek, já disse que "tolerará" o atual governo até o fim do mandato da República Checa à frente da UE, em junho. Depois disso, declarou, um governo de tecnocratas deveria ser nomeado até a realização de novas eleições. "Topolanek recebeu o que merecia", afirmou Paroubek, que criticou a falta de resposta do Executivo à crise econômica.

 

O atual gabinete de governo tomou posse no começo de 2007, depois de mais de seis meses de incertezas pós-eleitorais. Nesse período de negociações, o Executivo conservador surgido do pleito legislativo de junho de 2006 não conseguiu tomar posse, dado o seu caráter minoritário.

 

Agora, o Partido Democrático Cidadão (ODS), liderado por Topolanek, espera que um de seus membros receba a incumbência de formar o novo governo, mas com a condição de que não precise do apoio dos comunistas. Caso contrário, o ODS é a favor da convocação de novas eleições antes do fim de setembro. Por sua vez, o partido esquerdista, liderado por Vojtech Filip, pediu nesta terça um governo de união nacional que o inclua.

Tudo o que sabemos sobre:
República ChecaUE

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.